Análise redefine origem do polvo mais antigo do mundo
Uma análise feita com luz de sincroton revelou que o polvo mais antigo do mundo pertence a outra espécie

Após novas análises, o fóssil do polvo mais antigo do mundo, um dos mais famosos da paleontologia, foi reclassificado.
O fóssil de cerca de 300 milhões de anos, conhecido como Pohlsepia mazonensis, na verdade, é um parente dos náutilos, grupo de cefalópodes com concha externa que ainda existem atualmente.
O estudo, publicado nesta quarta-feira, 8, na revista Proceedings of the Royal Society B, descreve sobre a análise do fóssil, encontrado nos Estados Unidos, que foi interpretado como um polvo primitivo por apresentar estruturas semelhantes a braços, nadadeiras, e um possível saco de tinta.
Essa identificação sempre levantou dúvidas por ter antecipado o surgimento dos povos em 150 milhões de anos.
Os pesquisadores usaram uma técnica quê usa feixes de luz extremamente intensos para examinar o interior de materiais, conhecido como sincroton, esse método permitiu identificar estruturas invisíveis a olho nu no interior da rocha, sem danificá-la no processo, explicou a revista Galileu.
Esse método resultou na descoberta de uma rádula, estrutura alimentar composta por fileiras de dentes microscópicos, comum em moluscos. O fóssil possuía cerca de 11 dentes por fileira, número incompatível com polvos, que normalmente, possuem entre sete e nove. A quantidade de dentes no fóssil era mais próximo ao padrão dos nautilóides, que possuem cerca de 13.
O autor do estudo, Thomas Clements, disse em comunicado que descobriram que o fóssil de polvo mais famoso do mundo nunca foi um polvo de verdade. “Era um parente do náutilo que estava em decomposição há semanas antes de ser enterrado e, posteriormente, preservado em rochas. Foi essa decomposição que o fez parecer tão convincentemente com um polvo”.
Redescobrindo o polvo
Ao retirar o fóssil do P. mazonesis da linhagem dos polvos, os pesquisadores eliminaram uma evidência de que os polvos teriam uma origem muito mais antiga.
Essa descoberta faz com que a hipótese de que os polvos surgiram apenas no período Jurássico ganhe força e que a divergência entre eles e outros cefalópodes ocorreu durante a Mesozoica.
Com isso, o fóssil passa a ser o registro mais antigo conhecido de tecido mole de um nautiloide, superando o recorde anterior em cerca de 220 milhões de anos.
Clements destaca que reexaminar fósseis com novas técnicas revela pequenas pistas que levam a descoberta realmente empolgantes. “É incrível pensar que uma fileira de minúsculos dentes escondidos na rocha por 300 milhões de anos mudou fundamentalmente o que sabemos sobre quando e como os polvos evoluíram”
O estudo mostra a importância do uso de novas tecnologias e que processos como a decomposição podem distorcer evidências fósseis.