Notícias / Animais

Empresa que pretende recriar o pássaro dodô faz avanços em recuperação

Após anunciar recriação de filhotes de lobo-terrível e esforços para recuperar o mamute-lanoso, Colossal Biosciences avança nas pesquisas do pássaro dodô

Ilustração de dodô / Crédito: Divulgação/Colossal Biosciences

A Colossal Biosciences, uma empresa de biotecnologia com sede no Texas, nos Estados Unidos, anunciou progressos significativos em seu plano para criar geneticamente uma versão do dodô, uma ave extinta há 400 anos e símbolo da perda da biodiversidade. Recentemente, os cientistas da empresa cultivaram células especializadas da rola-comum (Columba livia), conhecida popularmente como pombo, e pretendem aplicar técnicas semelhantes para cultivar células do parente vivo mais próximo do dodô, a pomba Nicobar.

Apesar de ainda estarem a anos de alcançar seu objetivo final de desenvolver uma ave que se assemelhe ao dodô original, a Colossal descreveu esta conquista como um “passo crucial” para a conservação de aves. Beth Shapiro, diretora científica da empresa, enfatizou a importância desse avanço: “Este é realmente o passo mais importante para o projeto do dodô, mas também para a conservação de aves, de forma mais ampla”.

O anúncio segue o entusiasmo gerado pela empresa após o nascimento de três filhotes de lobo-terrível em abril deste ano. Os cientistas utilizaram técnicas de clonagem e edição genética para ressuscitar essa espécie canina extinta há 10.000 anos, um processo que a Colossal denomina “desextinção“. A companhia também está explorando iniciativas semelhantes para reviver outras espécies extintas, como o mamute-lanoso e o lobo-da-tasmânia.

Desafios

Nesta quarta-feira, 17, a Colossal revelou ter arrecadado US$ 120 milhões em financiamento adicional, totalizando aproximadamente US$ 555 milhões desde sua fundação em setembro de 2021. No entanto, os desafios técnicos envolvidos na criação do dodô diferem dos encontrados na clonagem de mamíferos. Isso se deve ao fato de que aves se desenvolvem dentro de ovos e não podem ser clonadas da mesma forma que os mamíferos.

Shapiro explicou que “com aves, a parte mais lenta desse processo é que precisamos criar duas gerações. Não podemos clonar as células, então precisamos criar mães e pais separadamente e depois cruzá-los para que ambas as cópias do gene sejam modificadas. Isso é bem lento”.

Um marco significativo foi a descoberta de uma maneira eficaz de cultivar células germinativas primordiais, precursoras das células reprodutivas, a partir da rola-comum. Esta descoberta pode ampliar as tecnologias reprodutivas para aves e serve como base fundamental para o projeto do dodô. Anna Keyte, diretora de espécies aviárias da Colossal, ressaltou que a técnica previamente utilizada em galinhas não funcionou em outras espécies testadas até agora.

A equipe testou diversas combinações antes de encontrar a mistura ideal que permitiu o crescimento das células germinativas do pombo por 60 dias. Os próximos passos envolvem utilizar essas células para gerar pombos vivos com a ajuda de galinhas como mães substitutas. Simultaneamente, a empresa está cultivando células germinativas primordiais da pomba Nicobar e estabeleceu uma colônia reprodutiva dessas aves no Texas.

Embora o projeto tenha atraído críticas sobre sua viabilidade e suas implicações éticas, a Colossal afirma que não busca criar uma réplica exata do dodô, mas sim cópias funcionais com características essenciais. Especialistas alertam que ressuscitar um animal extinto envolve complexidades além da simples engenharia genética.

Cock van Oosterhout, professor de genética evolutiva, destacou que o verdadeiro valor das tecnologias desenvolvidas pela Colossal pode estar na aplicação dessas descobertas em espécies ameaçadas atualmente. Ele sugere que modificar genes pode ajudar essas populações a se adaptarem melhor às mudanças ambientais e doenças.

Em suma, enquanto os esforços para trazer o dodô de volta à vida continuam a avançar lentamente, eles geram debates sobre as direções futuras da conservação e o papel da tecnologia na proteção da biodiversidade global, repercute a CNN Brasil.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.