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Elefanta de circo ganha novo lar em santuário após quatro décadas em cativeiro

Última elefanta de circo de Portugal agora vive no primeiro santuário de elefantes da Europa, localizado na região do Alentejo

Julie em apresentação realizada antes de 2018, colocando as pernas nas costas de Samba, outro elefante de circo - Crédito: Divulgação/Pangea

Julie, uma elefanta africana que passou cerca de 40 anos em um circo, acaba de ser transferida para um santuário, onde iniciou uma nova etapa de sua vida. Última elefanta de circo de Portugal, o animal agora vive no primeiro santuário de elefantes da Europa, localizado na região do Alentejo. O espaço, com cerca de 400 hectares, foi criado pela instituição britânica Pangea Trust, que negociou com o Circo Victor Hugo Cardinali para garantir a aposentadoria do animal.

Julie era só um filhote na década de 1980 quando perdeu a mãe, morta por caçadores interessados em suas presas de marfim. Capturada, ela foi comprada pelo Circo Victor Hugo Cardinali, onde viveu por décadas realizando apresentações e sendo alojada em um celeiro. Mesmo após deixar os picadeiros nos últimos anos, seguiu sendo cuidada pela equipe do circo. Desde que chegou ao santuário, seu novo lar, Julie passou a explorar livremente áreas e foi vista tomando banhos de lama e poeira.

“A paisagem e o clima da região do Alentejo são muito semelhantes aos da África, e não podemos deixar de nos perguntar o que ela se lembra dos primeiros anos antes de entrar para o circo. Os elefantes são animais extremamente inteligentes e sociáveis, com necessidades complexas e memórias extraordinárias. Em poucos dias, Julie já estava pastando, brincando com árvores e tomando banhos de lama e poeira, como um elefante selvagem. O que ela precisa agora é de um companheiro que responda ao seu chamado”, disse Kate Moore, diretora administrativa da Pangea Trust.

Futura transferência

Os funcionários da instituição esperam que uma outra elefanta africana, chamada Kariba e que vive sozinha em um zoológico da Bélgica, seja levada ao santuário nos próximos meses. A intenção, segundo a fonte, é ampliar gradualmente o número de animais acolhidos, incluindo elefantes vindos de zoológicos europeus.

Mais de 600 elefantes vivem atualmente em cativeiro na Europa, dos quais cerca de 40 ainda são utilizados em circos, conforme a Pangea Trust. Em Portugal, a utilização de animais selvagens em espetáculos foi proibida por lei no ano de 2018, e a proibição passou a valer integralmente em 2024.

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.