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Primeiros americanos viviam à base de carne de mamutes e animais gigantes

Novo estudo indica que povos nômades dependiam quase exclusivamente de megafauna para atravessar o continente em tempo recorde; entenda!

Humanos pré-históricos atacando mamute
Ilustração retrata um grupo de humanos pré-históricos caçando um mamute. Um novo estudo indica que grandes mamíferos foram a principal fonte de alimento dos primeiros habitantes das Américas. Foto: Stuart Jackson-Carter/Divulgação.

Uma descoberta arqueológica está mudando a compreensão sobre como o ser humano povoou o continente americano: conforme um novo estudo publicado na revista científica Science Advances e repercutido na Archaeology News, os primeiros habitantes das Américas do Norte e do Sul não tinham uma dieta variada, mas eram especialistas em caçar animais de grande porte. Essa dependência quase total de mamíferos gigantes, como mamutes e preguiças terrestres, foi o combustível necessário para que esses grupos nômades se espalhassem por milhares de quilômetros em apenas alguns milênios.

Dieta de carne pesada

A pesquisa, que reuniu dados de sítios arqueológicos do Alasca ao extremo sul do continente, revelou um padrão impressionante: grandes herbívoros forneciam pelo menos 98% da alimentação desses povos primitivos. No extremo norte, em uma região conhecida como Beríngia Oriental (que conectava a Ásia ao Alasca), o foco principal eram os mamutes lanosos. À medida que avançavam para o sul, os caçadores passavam a perseguir mamutes colombianos, cavalos ancestrais e até preguiças gigantes.

Estratégia de movimento rápido

De acordo com a Universidade de Wyoming, essa especialização alimentar não era apenas uma preferência, mas uma vantagem estratégica: abater um único animal de grande porte garantia quantidades massivas de carne e gordura, permitindo que as tribos viajassem longas distâncias sem a necessidade de aprender constantemente quais plantas locais eram seguras para comer. “Esta estratégia ajudou as pessoas a se deslocarem rapidamente para ambientes muito diferentes sem alterar seus métodos de caça”, afirmam os autores do estudo, entre os quais estão BA Potter e RL Kelly.

Ferramentas e ferramentas semelhantes

As evidências mostram que esses grupos eram altamente móveis e utilizavam tecnologias de caça muito parecidas, mesmo estando separados por distâncias continentais. Pontas de lança encontradas na América do Norte, típicas da cultura Clovis, guardam semelhanças técnicas com as pontas de projétil chamadas Fishtail, encontradas na América do Sul. Os pesquisadores acreditam que esses pioneiros simplesmente seguiam as manadas à medida que os animais se expandiam pelos territórios virgens.

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O fim dos gigantes

A equipe de especialistas, que contou com nomes como BA Potter, RL Kelly, JC Chatters, L. Prates, SI Perez, T. Surovell e G. Politis, defende que essa estratégia de caça especializada permaneceu em vigor até o desaparecimento dos mamíferos gigantes, ocorrido entre cerca de 13 mil e 11 mil anos atrás. O estudo reforça a tese de que a própria pressão da caça exercida pelos humanos foi a causa primordial para a extinção desses animais. 

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Com o fim da era dos mamutes, os descendentes desses primeiros americanos precisaram se adaptar, diversificando a dieta com o consumo de animais menores, como bisontes e aves, além de introduzirem peixes e plantas nativas em suas refeições diárias conforme os recursos disponíveis em cada região.


*Sob supervisão de Éric Moreira

Meu propósito é dar voz a narrativas.