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Após morte de artista, museu holandês cobre chão com manteiga de amendoim

Galeria em Roterdã recriou instalação de Wim T. Schippers com pasta cremosa e proibiu intenção educativa durante a visitação em memória ao criador

Registro da obra "Peanut-Butter Platform", de Wim T. Schippers. A instalação foi remontada pelo Museu Boijmans Van Beuningen em homenagem ao artista, seguindo suas instruções originais - Foto: Mondriaan Fund, 2010

O Museum Boijmans van Beuningen, em Roterdã, organizou um tributo incomum ao caráter excêntrico de uma das figuras mais influentes das artes nos Países Baixos. A instituição espalhou aproximadamente 360 quilos de manteiga de amendoim pelo piso de uma de suas galerias para recriar a obra hexagonal “Pindakaasvloer” (Chão de Manteiga de Amendoim). 

A exposição é uma homenagem póstuma ao artista Wim T. Schippers, que faleceu no mês passado aos 83 anos de idade. Conforme o veículo The Guardian, o objetivo é capturar o espírito de um homem que dedicou a vida a desafiar a seriedade do mundo artístico.

Regras para montagem

A instalação foi originalmente idealizada em 1962 e exibida pela primeira vez em 1969. Para esta recriação póstuma, os curadores seguiram um conjunto de orientações técnicas minuciosas deixadas por Wim T. Schippers. As instruções exigem que os funcionários apliquem exatamente 15,6 kg de manteiga de amendoim do tipo cremosa por metro quadrado, garantindo que a substância seja espalhada da forma mais monótona e suave possível

O artista foi enfático ao solicitar que o público não se aproximasse da obra com qualquer tipo de propósito educativo ou pedagógico. Além disso, por questões de segurança e preservação, é estritamente proibido pisar ou se deitar sobre o material.

Wim T. Schippers, artista conceitual holandês conhecido por obras irreverentes e pelo uso de materiais incomuns, como manteiga de amendoim e alimentos enlatados. Foto: Marcel Douwe Dekker/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0).

Mestre do absurdo

Nascido como Willem Theodoor Schippers na cidade de Groningen, o criador foi uma personalidade central na cultura holandesa, conhecido por seu amor ao dadaísmo e ao absurdo. Ele foi um dos fundadores do grupo artístico “A-dynamische”, que lutava contra o tédio nas galerias por meio de atos provocativos, como barbear cactos ou preencher salas com cacos de vidro. 

Para a população em geral, ele era ainda mais famoso por ser a voz oficial de personagens icônicos da versão local da Vila Sésamo, incluindo Ernie, Kermit e o Conde. A diretora interina do museu, Sandra Kisters, comparou o impacto e o status do artista ao do grupo de comédia britânico Monty Python: “Ele acreditava que a vida e a arte eram sempre inteiramente sérias e inteiramente irreverentes ao mesmo tempo.”.

Impacto nos visitantes

A instalação continua a provocar sentimentos de perplexidade e debate entre os frequentadores da instituição. “O chão de manteiga de amendoim ainda levanta questões como: isso é arte? Tenho permissão para gostar disso?”, afirmou Sandra Kisters em entrevista exclusiva ao The Guardian. A obra já protagonizou incidentes curiosos no passado: em 1997, estudantes em Utrecht vandalizaram a peça jogando fatias de pão e chocolate granulado sobre a manteiga, simulando um lanche infantil. 

No entanto, relata-se que Wim T. Schippers não ficou insatisfeito com a intervenção. A exibição em Roterdã segue aberta até o dia 6 de setembro, e o restaurante do museu incluiu sanduíches de manteiga de amendoim no cardápio durante este período.


*Sob supervisão de Giovanna Gomes

Meu propósito é dar voz a narrativas.