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Comunidade local se une para preservar arte rupestre nordestina

Arqueólogos e trilheiros se organizam para conseguir atenção e preservação do Iphan para gravuras rupestres no parque Pés de Emas, no Piauí

Marcas de patas de passaro no chão - Símbolo rupestre
Imagem ilustrativa de marcas rupestres - Crédtios: Getty Images

Rochas com símbolos talhados em formato de pés de aves, isso é o que os moradores do povoado de São João da Fronteira conhecem desde os anos 80. Porém, somente em fevereiro de 2024, com a visita do professor e pesquisador Gerson Meneses, a população notificou os acadêmicos em simbologia rupestre.

Surpreendentemente, o sítio era enorme e contava com diversos talhamentos. Arqueólogos e trilheiros que passaram a frequentar a região para apreciar estão juntos cuidando da região e buscando o reconhecimento do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).

A saber, Gerson Meneses explica o porquê do nome da região:

Fui até lá conferir e vi que os desenhos são talhados na rocha em um leito de um rio. O nome Pés de Ema se dá em virtude de a maioria das gravuras ser em formato tridáctilo, bem semelhantes a uma pegada de ave

Arte Rupestre

Entretanto, o sítio ganhou mais destaque somente no mês passado, quando a trilha Caminhos da Ibiapaba foi inaugurada. A trilha possui 186 quilômetros de comprimento, conectando Piauí e Ceará.

Ainda, o projeto tem como intuito fortalecer a economia local através do turismo e preservar a região. Evidentemente, conseguiram realmente chamar a atenção ao apontarem pras gravuras rupestres. Desse modo, a parceria dos Ministérios do Meio Ambiente, Turismo e ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) foi um sucesso.

Os pesquisadores

Posteriormente, a Rede Brasileira de Trilhas, idealizadora da rota, patrocinou a estudante de arqueologia, no último ano da graduação, Carla Tissiane Barbosa, da UFPI (Universidade Federal do Piauí), para junto dos moradores e do Iphan identificar e cadastrar os sítios arqueológicos da região.

Apesar do ânimo em encontrar uma região nova, Carla destacou:

O estado de preservação do sítio encontrava-se um pouco carente de cuidados. Foi possível verificar a presença de lodo sobre o matacão onde se localizam as gravuras, além de lixo descartado nas imediações”

A trilha construída liga os Parques Nacionais de Sete Cidades (PI), de Ubajara (CE) e a Área de Proteção Ambiental Serra da Ibiapaba. Porém, mesmo para aqueles que não são muito entusiastas na história, o passeio conta com mirantes, cachoeiras, sítios arqueológicos, florestas, vistas panorâmicas, grutas e paredões rochosos impressionantes.

Diante da comoção, a superintendente do Iphan no Piauí, Teresinha de Jesus Ferreira, disse que em breve uma equipe irá até a região para analisar os vestígios encontrados.

*Sob supervisão de Felipe Sales Gomes

Historiador em formação que troca qualquer "sextou" por fofocas de época e análise econômica. Traduzo o mundo via cultura, provando que o passado é o melhor spoiler do presente. Quer entender como a engrenagem realmente gira? O convite para a viagem está nos meus artigos: