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Escavações traçam trajeto dos primeiros norte-americanos

O acampamento enterrado no Vale Tanana, no Alasca, fornece novas evidências sobre a migração humana para a América do Norte e achados importantes

Vale do Tanana - Créditos: Getty Images

As margens do riacho Shawn, as escavações no sítio arqueológico de Holzman, mostram atividade humana há cerca de 14.000 anos, período ligado a grandes mudanças climáticas, na paisagem e na fauna perto do fim da última Era Glacial.

Fragmentos de pedra, restos de lareiras, ossos de animais e uma grande presa de mamute. Esses materiais encontrados indicam o preparo de alimentos, produção e ferramentas e o uso de partes de mamute no acampamento.

Em uma camada um pouco mais recente, datada por volta de 13.700 anos atrás, contém densas concentrações de fragmentos de quartzo resultante da modelagem de ferramentas e fortes indícios de trabalho com marfim. Os humanos utilizavam o marfim de mamute para esculpir longas hastes e peças brutais.

O estudo das marcas dos vestígios de modelagem relaciona os resíduos de produção com a redução do marfim, visto que, o padrão mostra uma manufatura e não um uso casual.

Métodos de entalhe similares foram observados posteriormente mais ao sul, nos sítios Clovis, datados de cerca de 13.000 anos. A cultura Clovis é conhecida pelas pontas de suas lanças de pedra bem características. Evidências indicam que essas técnicas se desenvolveram no norte antes da expansão Clovis pelas regiões.

Também foi possível observar detalhes nas ferramentas de pedra de Holzman, a maioria vinha de jazidas de quartzo, com uso de sílex e siltito. O povo selecionava as matérias-primas e as transportavam pela região, essa prática aponta para grupos nômades.

A) Cortador bifacial de quartzo; B) Suporte de pedra; C) Bloco de marfim; D) Presa de mamute fêmea – Créditos: BT Wygal et al., Quaternary Internacional(2026)

Vale do Tanana

É a região mais populosa do Alasca ao norte da Cordilheira e pesquisas na região revelaram múltiplos sítios arqueológicos datados com mais de 13.000 anos. Holzman se encaixa nesse registro e reforça a visão que o Alasca é uma pátria de longa data.

Há 14.000 anos, pessoas ocupavam partes da Beríngia oriental, o movimento das calotas polares ocorreu um tempo depois, a viagem dos grupos pela costa ou rotas istas ainda está em estudo.

Pesquisas apontam raízes tecnológicas para tradições paleoindias posteriores. Escavações cuidadosas transformam a margem de um riacho em um ponto fundamental para a pré-história da América.