Estudo identifica microalga mais tóxica já registrada na Austrália
Pesquisa revela que espécie recém-detectada em águas australianas produz toxinas mais potentes do que qualquer outra microalga nociva

Uma pesquisa publicada na revista Nature Ecology & Evolution revelou que uma das microalgas responsáveis pela gigantesca floração de algas no sul da Austrália é a mais tóxica já registrada entre as espécies nocivas analisadas pela ciência. A descoberta ajuda a esclarecer por que o fenômeno, iniciado em março de 2025, provocou um dos maiores desastres ambientais marinhos da história recente do país.
A protagonista do estudo é a microalga Karenia cristata, uma espécie pouco conhecida que, até então, nunca havia sido associada a um evento de tamanha proporção. Em experimentos conduzidos por pesquisadores da Universidade de Tecnologia de Sydney, da Universidade de Adelaide e do Instituto Cawthron, da Nova Zelândia, a microalga demonstrou um nível de toxicidade superior ao de todas as outras espécies do gênero Karenia avaliadas.
Microalga tóxica
Os testes compararam os efeitos de diferentes microalgas sobre organismos marinhos e mostraram que concentrações relativamente baixas de K. cristata já são suficientes para provocar a morte de peixes e invertebrados. Segundo os pesquisadores, bastam alguns milhares de células por litro de água para desencadear impactos biológicos expressivos.
Os resultados ajudam a explicar a gravidade da floração de algas que atingiu aproximadamente 20 mil quilômetros quadrados da costa sul australiana. De acordo com estimativas divulgadas pela revista Smithsonian, o episódio está relacionado à morte de cerca de um milhão de animais marinhos, pertencentes a mais de 600 espécies.
A pesquisa aponta que a Karenia cristata foi uma das cinco espécies do gênero identificadas durante o evento. No entanto, ela se destacou pela produção de brevetoxinas, compostos altamente potentes que atacam o sistema nervoso dos animais marinhos. Em seres humanos, essas substâncias também podem provocar problemas de saúde, especialmente quando inaladas ou ingeridas por meio de frutos do mar contaminados, embora a gravidade dos sintomas varie conforme o tipo de exposição.
Outro aspecto que chamou a atenção dos cientistas é o fato de esta ser a primeira ocorrência documentada da K. cristata em águas australianas. Antes disso, a espécie havia sido registrada apenas na costa da África do Sul e na região de Terra Nova, no Canadá.
Apesar do avanço proporcionado pela pesquisa, os autores ressaltam que ainda há muitas questões em aberto. Novos estudos serão necessários para compreender como a microalga chegou à Austrália, quais fatores ambientais favoreceram sua proliferação e de que forma futuras florações podem ser monitoradas. O conhecimento dessas condições poderá contribuir para reduzir os impactos de eventos semelhantes sobre a biodiversidade marinha e auxiliar no desenvolvimento de estratégias de prevenção e resposta a desastres ecológicos.