Confira 5 objetos que contam a história do período colonial nos EUA
De cama de George Washington a bordado feito por criança, estes objetos ajudam a contar a história dos EUA dos séculos 17 ao 18

O período colonial nos Estados Unidos teve início em 1607, com a fundação do primeiro assentamento inglês permanente em Jamestown, na Virgínia, e se estendeu até 1783, quando o Tratado de Paris encerrou oficialmente a Guerra de Independência. Embora documentos escritos ajudem a compreender essa época, muitos dos detalhes sobre a vida colonial sobreviveram por meio de objetos hoje preservados em museus. Dentre esses itens estão peças como pinturas, roupas e utensílios, que revelam como viviam pessoas comuns e membros da elite durante esse período tão marcante da história dos Estados Unidos. A seguir você confere 5 objetos que ajudam a contar a história desse período.
1- Retrato de mãe e filha
Um dos mas conhecidos itens que datam do período colonial norte-americano é o retrato de Elizabeth Clarke Freake e sua filha Mary, que foi produzido entre 1671 e 1674 por um artista anônimo conhecido atualmente como Freake Limner. Ele fazia parte dos chamados limners, pintores itinerantes que percorriam as colônias oferecendo retratos à população. Alguns desses artistas tinham formação limitada e produziam obras relativamente simples, enquanto outros dominavam técnicas mais sofisticadas. Freake Limner por exemplo destacava-se justamente pela capacidade de representar tecidos, rendas e os mais diferentes tipos de texturas com detalhes impressionantes.
No quadro em questão, Elizabeth aparece usando roupas luxuosas, adornadas por rendas delicadas, fitas e joias. Mas é importante dizer: conforme revelaram exames realizados séculos depois com raios X, a pintura foi modificada tempos após sua criação. Na verdade, inicialmente, apenas Elizabeth aparecia na composição, tendo sido a representação da recém-nascida uma inclusão posterior. De acordo com o portal National Geographic, também devemos mencionar que, na época da alteração, ocorrida em torno de 1674, o pintor atualizou as roupas da mãe, a fim de acompanhar as tendências da moda. Essas alterações mostram que a família atribuía grande importância à própria imagem e possuía recursos suficientes para encomendar mudanças em uma obra já concluída.

Vale destacar que Elizabeth era casada com John Freake, um rico comerciante e advogado de Boston, e que grande parte da fortuna da família foi construída graças ao comércio atlântico, incluindo o tráfico de pessoas escravizadas.
2- Algemas de ferro
Essa terrível realidade do passado colonial torna-se ainda mais evidente quando se observam objetos como os bilboes, algemas de ferro utilizadas para prender pessoas escravizadas durante o transporte pelo Oceano Atlântico e também nas próprias colônias. Importados da Inglaterra, esses instrumentos eram originalmente empregados em prisões, mas passaram a ser usados no tráfico transatlântico de escravos.
Os bilboes eram fixados aos tornozelos das vítimas e, muitas vezes, presos ao piso dos navios negreiros. O objetivo era simples: restringir seus movimentos. Em outras situações, duas pessoas eram acorrentadas juntas durante toda a travessia.
Uma das principais evidências dessa prática surgiu durante as escavações do navio negreiro Henrietta Marie, naufragado próximo à costa da Flórida. No local foram encontrados cerca de 80 pares dessas algemas, número suficiente para aprisionar aproximadamente 160 africanos durante a viagem rumo às colônias.
Hoje preservados em museus, esses objetos demonstram como o crescimento das colônias britânicas esteve profundamente ligado ao trabalho forçado de milhões de africanos escravizados.

3- Tecido bordado
Outro objeto preservado do período está relacionado não à escravidão, mas sim à vida cotidiana de meninas de famílias mais abastadas. Aqui falamos do sampler confeccionado por Sarah Prince Fenn em 1775, quando tinha apenas 12 anos e sete meses. Os samplers, conforme explica a fonte, eram bordados utilizados para ensinar costura, caligrafia e disciplina às jovens, que funcionavam como uma demonstração de habilidade manual e preparação para as responsabilidades domésticas da vida adulta.
No caso da peça produzida por Sarah, podemos facilmente notar a presença de flores bordadas com fios de seda, bem como números e o alfabeto. Um detalhe curioso é que alguns pequenos erros permanecem visíveis, como a inversão das letras “U” e “V” e a ausência da letra “J”, algo relativamente comum em bordados da época devido à influência do antigo alfabeto latino. Tudo leva a crer que a jovem autora ainda estava em processo de aprendizagem.
Mas apesar da peça transmitir certa sensação de tranquilidade, ela foi produzida em um dos momentos mais turbulentos da história das colônias. Naquele mesmo ano de 1775 tiveram início os confrontos armados entre os colonos e a Grã-Bretanha, marcando o começo da Revolução Americana. A guerra afetou diretamente a família de Sarah, cujo pai era oficial da milícia de Connecticut. Para piorar, também os irmãos da garota participaram dos combates — e correspondências preservadas mostram que a família acompanhou de perto a destruição causada pelas tropas britânicas em diversas cidades da região.

4- Cama de um comandante
Enquanto Sarah aperfeiçoava suas habilidades com a agulha, George Washington assumia a liderança do recém-criado Exército Continental. Nomeado comandante-chefe em 1775, ele precisou organizar tropas mal equipadas e constantemente deslocadas entre diferentes frentes de batalha. Segundo o National Geographic, para enfrentar essa rotina, ele adquiriu diversos móveis de campanha, entre os quais estava uma cama especialmente projetada para acompanhá-lo durante os deslocamentos.
A estrutura podia ser facilmente desmontada e transportada de um acampamento para outro. Contudo, apesar de sua praticidade, estava longe de ser um objeto simples. Isso porque Washington encomendou tecidos e cortinas de alta qualidade. Inspirados nos móveis utilizados por oficiais britânicos, esses equipamentos permitiam que comandantes passassem longos períodos longe de casa sem abrir mão completamente das comodidades de sua residência.
Hoje séculos se passaram, mas a cama, tida como um dos objetos mais simbólicos associados a Washington, segue preservada.
5- Um tratado
Um dos principais desafios enfrentados pelo governo dos Estados Unidos no pós independência dizia respeito às relações com os povos indígenas. Afinal, o fim da guerra não significou o encerramento dos conflitos. Seguiu-se assim até que, em 1794, foi firmado o Tratado de Canandaigua entre o governo americano e as Seis Nações da Confederação Haudenosaunee, também conhecida como Liga Iroquesa. A aliança, que reunia os povos Mohawk, Oneida, Onondaga, Cayuga, Seneca e Tuscarora, controlava vastas áreas do atual estado de Nova York e regiões vizinhas.

Por décadas, a expansão colonial aumentou as tensões em torno desses territórios — e a própria Revolução Americana agravou ainda mais a situação, dividindo a confederação entre grupos favoráveis aos britânicos e aliados dos colonos. O que veio a seguir foi uma resposta militar devastadora por parte dos Estados Unidos: aldeias inteiras foram incendiadas durante a chamada Expedição Sullivan, deixando centenas de mortos e milhares deslocados.
O Tratado de Canandaigua surgiu para estabelecer novas fronteiras e consolidou a perda de extensas áreas indígenas em favor dos Estados Unidos. Esse processo inaugurou um padrão que se repetiria nas décadas seguintes, marcado por uma violenta expansão territorial americana.