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Carta de George Washington que selou derrota britânica vai a público pela primeira vez

Documento assinado em 1781 aceitou formalmente a rendição britânica em Yorktown e ajudou a abrir caminho para a independência dos EUA

A carta que George Washington aceitou a rendição britânica em Yorktown, abrindo caminho para a independência americana. - The National Archives

A carta assinada por George Washington que ajudou a encerrar os principais combates da Guerra da Independência dos Estados Unidos está sendo exibida pela primeira vez em Londres. O documento histórico integra a exposição “Revolution 250: America’s Independence Story 1763-1783”, organizada pelos Arquivos Nacionais do Reino Unido em meio às comemorações que antecedem os 250 anos da Declaração de Independência americana.

A nota manuscrita foi ditada e assinada por Washington em outubro de 1781 para aceitar formalmente a rendição britânica em Yorktown. Em poucas linhas, o comandante das forças americanas expressou seu “desejo ardente de poupar o derramamento adicional de sangue”, em uma mensagem que marcou um dos momentos decisivos da guerra.

Como repercutido pela Smithsonian Magazine, segundos  os organizadores da exposição, a correspondência representa um dos documentos mais importantes do período revolucionário, por registrar o instante em que a Grã-Bretanha reconheceu, na prática, que não conseguiria manter o controle sobre as Treze Colônias.

O documento que mudou o rumo da guerra

A carta foi enviada ao tenente-general britânico Charles Cornwallis, responsável por liderar campanhas militares no sul durante a Guerra Revolucionária Americana.

Após receber o documento, Cornwallis levou a carta para a Inglaterra, onde ela permaneceu sob posse de sua família até 1880. Naquele ano, o manuscrito foi doado ao Escritório de Registros Públicos, instituição que posteriormente daria origem aos atuais Arquivos Nacionais britânicos.

Para Sean Cunningham, historiador e curador da exposição, o documento teve consequências muito maiores do que seu tamanho sugere.

Segundo ele, a carta representa o momento em que os britânicos compreenderam que teriam de abrir mão das colônias que mais tarde formariam os Estados Unidos da América, aceitando a realidade estabelecida pela Declaração de Independência cinco anos antes.

A virada que levou a Yorktown

Depois da declaração de independência em 1776, os colonos americanos passaram anos enfrentando as forças britânicas em diferentes regiões do Nordeste e do Médio Atlântico.

Um dos principais pontos de virada ocorreu em 1778, quando a França tornou-se oficialmente aliada dos revolucionários. Os franceses passaram a fornecer tropas, armamentos, apoio naval e recursos financeiros para sustentar o conflito.

Dois anos depois, os comandantes britânicos concentraram suas atenções no sul das colônias. A estratégia buscava ampliar o apoio de grupos leais à Coroa presentes na Geórgia, Carolina do Sul, Carolina do Norte e Virgínia.

Cornwallis liderou operações militares nas Carolinas antes de avançar para a Virgínia, onde estabeleceu uma base fortificada em Yorktown. O plano era aguardar reforços e suprimentos enviados pela Marinha britânica.

Enquanto isso, tropas americanas e francesas marchavam em direção ao sul a partir de Nova York. Ao mesmo tempo, uma frota francesa navegava para a Baía de Chesapeake.

O cerco que decidiu a independência

Em setembro de 1781, a situação mudou drasticamente para os britânicos. A vitória francesa na Batalha de Chesapeake impediu que a Marinha Real reforçasse ou retirasse as tropas de Cornwallis.

Isolado em Yorktown, o comandante britânico viu seu exército cercado pelas forças franco-americanas.

No fim daquele mês, os aliados iniciaram um cerco à cidade. Sem perspectivas de escapar ou receber ajuda, Cornwallis acabou se rendendo em 19 de outubro de 1781.

A capitulação envolveu quase 8 mil soldados britânicos, além de navios e armamentos.

Embora alguns confrontos ainda continuassem em outras regiões, a derrota representou um golpe decisivo para a Grã-Bretanha. A notícia enfraqueceu o apoio à guerra dentro do próprio país e abriu caminho para negociações diplomáticas.

Essas conversas culminariam na assinatura do Tratado de Paris, em 1783, acordo que reconheceu oficialmente a independência dos Estados Unidos.

Exposição reúne documentos históricos

Além da carta de Washington, a exposição em Londres apresenta correspondências da época, mapas originais, relatos em primeira mão, relatórios militares e uma rara cópia original da Declaração de Independência impressa por John Dunlap.

A mostra busca apresentar tanto os acontecimentos políticos e militares que levaram à independência americana quanto os impactos do conflito sobre as pessoas que viveram aquele período.

“Revolution 250: America’s Independence Story 1763-1783” ficará em cartaz nos Arquivos Nacionais de Londres entre 24 de junho e 29 de novembro.


*Sob supervisão de Éric Moreira