DNA antigo mostra que só uma linhagem neandertal sobreviveu às mudanças climáticas
Pesquisa mostra como uma única linhagem neandertal sobreviveu ao frio extremo e repovoou a Europa antes da extinção definitiva desses hominídeos

Um novo estudo publicado na revista científica PNAS revelou que apenas uma linhagem genética de neandertais sobreviveu às constantes transformações climáticas na Europa. Consequentemente, esse grupo isolado foi o responsável direto por uma expansão posterior por todo o continente.
Como sabemos, os neandertais estão entre os parentes mais próximos dos humanos modernos (Homo sapiens). Historicamente, a diferença entre essas linhagens evolutivas divergiu há cerca de 500 mil anos, muito antes de habitarem vastas regiões da Eurásia e desaparecerem.
O impacto do gelo
De acordo com informações repercutidas pela revista Live Science, para chegar a essa conclusão, os cientistas analisaram o DNA de fósseis recuperados em países como França, Alemanha e Sérvia. Segundo a pesquisa, essas populações antigas já haviam superado várias eras glaciais com bastante sucesso ao longo dos milênios.
No entanto, há cerca de 65 mil anos, o clima europeu esfriou de forma devastadora e dizimou os grupos do norte. Por conta disso, apenas um pequeno bando encontrou refúgio seguro no sudoeste da atual França, de onde recolonizaram todo o território europeu.
A fragilidade biológica
Como todos os novos habitantes descendiam dessa mesma família francesa, ocorreu um grave empobrecimento no seu DNA. O paleogeneticista Cosimo Posth explicou que essa semelhança genética extrema os deixou muito mais frágeis diante das constantes mudanças no mundo.
Eventualmente, essa evidente falta de diversidade biológica contribuiu para a extinção total da espécie, que aconteceu por volta de 40 mil anos atrás. Sendo assim, ao lidarem com um ambiente natural cada vez mais hostil, eles perderam a capacidade vital de adaptação.
Isolamento e cultura
Apesar dessa forte semelhança biológica, os bandos espalhados pela Europa criaram uma rica variedade de ferramentas e expressões artísticas. Como esses sobreviventes viveram muito distantes uns dos outros em regiões isoladas, acabaram desenvolvendo culturas altamente especializadas e próprias.
O geneticista Fernando Villanea destacou em entrevista ao Live Science, que a pesquisa estabelece uma base sólida para entender as complexas migrações daquela época. Em suma, o estudo mostra claramente como populações inteiras morriam em um local específico para, logo depois, serem substituídas por essas novas linhagens migratórias.
*Sob supervisão de Éric Moreira