Coleção de Darwin com 200 anos é analisada sem abrir frascos
Técnica a laser permite estudar espécimes históricos coletados por Darwin sem comprometer a preservação do material

Uma coleção científica reunida há quase dois séculos pelo naturalista britânico Charles Darwin está sendo examinada por pesquisadores com o auxílio de uma técnica avançada de laser que permite analisar o conteúdo dos frascos sem precisar abri-los. O conjunto de espécimes, coletado durante expedições do século XIX, é preservado atualmente no Museu de História Natural, em Londres.
O estudo envolve potes que guardam pequenos animais coletados durante viagens científicas de Darwin e de outros naturalistas da época. Muitos desses exemplares foram obtidos em lugares como as Ilhas Galápagos, região que desempenhou papel fundamental no desenvolvimento das ideias que levariam à teoria da evolução por seleção natural.
Amostras de Darwin
Abrir os frascos para examinar o material poderia colocar em risco os espécimes históricos. Com o tempo, líquidos conservantes podem evaporar ou sofrer alterações químicas quando expostos ao ar. Para evitar esse problema, cientistas utilizaram um método chamado espectroscopia Raman com deslocamento espacial (SORS), que emprega feixes de laser para identificar a composição química do que está dentro do recipiente.
Nesse processo, a luz do laser é direcionada ao interior do frasco e interage com as moléculas presentes no líquido preservador e nos organismos armazenados. Ao medir como a luz é dispersada ou refletida, os pesquisadores conseguem identificar assinaturas químicas específicas das substâncias presentes, sem qualquer contato direto com o material.
A pesquisa analisou 46 espécimes históricos, incluindo mamíferos, peixes, répteis, águas-vivas e camarões preservados em frascos antigos. O método foi capaz de determinar corretamente a composição química do conteúdo em cerca de 80% das amostras examinadas, além de identificar características dos próprios recipientes, como se eram feitos de vidro ou plástico.
O projeto foi realizado por meio de uma colaboração entre o Science and Technology Facilities Council (STFC), a empresa de tecnologia Agilent Technologies e o museu londrino que abriga a coleção. Os resultados da pesquisa foram publicados na revista científica ACS Omega.