Série da Netflix revela linguagem e ideologia tóxica que influenciam adolescentes, com termos como 'incel' e teoria 80/20
A série 'Adolescência', sucesso na Netflix, trouxe à tona a "manosfera", um ambiente digital que propaga ódio às mulheres e influencia jovens com ideologias misóginas. A trama acompanha um policial que, ao investigar um crime, se depara com uma linguagem desconhecida, utilizada pelos adolescentes envolvidos.
O policial, com a ajuda do filho, decifra termos como "incel" (celibatários involuntários) e "red pill" (referência à pílula da verdade em "Matrix"), além de emojis com significados específicos.
A teoria 80/20 tem suas raízes na economia e foi observada pela primeira vez no século 19 pelo italiano Vilfredo Pareto. Ele notou que, na época, 20% da população italiana detinha 80% da riqueza do país. Com o tempo, percebeu-se que esse padrão de distribuição se repetia em diversos outros países e áreas, como no comércio. A partir daí, o princípio passou a descrever qualquer situação em que 80% dos resultados são originados por 20% das causas.
Segundo o UOL, desconsiderando a ideia de que mulheres são objetos de conquista, influenciadores incel distorcem o conceito para aplicá-lo a relacionamentos. Segundo essa visão, 80% das mulheres desejam apenas 20% dos homens, grupo do qual os incel se excluem.
Adolescentes encontram validação para a baixa autoestima nessa ideologia, que os incentiva a culpar as mulheres por seus problemas de relacionamento. A série expõe a fragilidade desses jovens, que se sentem incapazes de atrair mulheres de forma natural e recorrem a artifícios para "enganá-las".
'Adolescência' serve como um alerta para pais e educadores sobre a influência da "manosfera" na vida dos jovens. A série revela a necessidade de diálogo e atenção aos conteúdos consumidos pelos adolescentes na internet, além da importância de combater a misoginia e promover relações saudáveis.