A missão Artemis II vai pousar na lua?
Com Artemis II levando humanos até a região lunar, a NASA informou se os astronautas vão ter acesso à superfície do satélite

A missão Artemis II da NASA, que está programada para ser lançada em início de fevereiro de 2026 com quatro astronautas a bordo, não prevê pouso na superfície lunar. Essa decisão tem sido questionada por parte do público, mas autoridades da agência espacial e especialistas explicam que essa missão tem objetivos específicos e não inclui o desenvolvimento de capacidades de pouso.
Em primeiro lugar, o motivo direto pelo qual os astronautas não caminharão na lua é que a missão não dispõe de um módulo de pouso lunar. A cápsula Orion, que levará os astronautas em torno da lua e de volta à Terra, foi projetada para voar e orbitar, mas não possui os sistemas necessários para descer e subir da superfície lunar com segurança, como propulsores, sistemas de aterrissagem ou escudos térmicos extras para uma descida controlada até o solo.
Artemis II
A Artemis II é a primeira missão tripulada do programa Artemis e segue a missão Artemis I de 2022, que demonstrou que a espaçonave Orion e o foguete Space Launch System (SLS) podem completar com sucesso uma volta ao redor da Lua e retornar à Terra. Essa etapa é vista como um ensaio geral para testar a nave espacial, os sistemas de suporte à vida e os procedimentos de voo antes de missões mais complexas com pousos reais.
Segundo a NASA, a configuração atual da carga útil e dos sistemas embarcados não foi concebida para apoio a um pouso lunar. A agência está desenvolvendo outros componentes e módulos necessários para fazer com que astronautas realmente desçam até a superfície lunar, mas essas capacidades ainda não foram ou testadas em voo com tripulação. Parte desse desenvolvimento inclui o módulo de pouso que será usado em missões posteriores, como a Artemis III, que busca levar humanos ao solo lunar — potencialmente próximos ao polo sul da Lua — no final desta década.
Além disso, a NASA estruturou as missões de modo progressivo, com foco na segurança da tripulação e na verificação completa dos sistemas à medida que intensifica a complexidade das operações espaciais. A Artemis II cumprirá um papel essencial nesse cronograma ao validar vida útil, controles de navegação e sistemas de comunicação com astronautas a bordo, além de permitir que a equipe viva e trabalhe por cerca de 10 dias em condições de voo profundo, longe da órbita terrestre baixa.
Outro aspecto importante é a trajetória planejada para a missão. Em vez de entrar em órbita lunar baixa para um pouso, a Orion seguirá uma rota que a levará em torno da Lua e mais distante dela do que qualquer outro voo tripulado desde a era Apollo, batendo possivelmente recordes de distância da Terra antes de retornar. Essa trajetória é adequada para testar a espaçonave e seus sistemas sem os riscos adicionais de um pouso.