Estudo sugere relação entre continentes e formação da Terra
Pesquisa revisa a linha do tempo da evolução do planeta: crosta continental começou a se consolidar bilhões de anos depois da origem da Terra

Novas análises de rochas antigas indicam que os continentes da Terra não se formaram logo após o planeta nascer há cerca de 4,54 bilhões de anos, como se pensava anteriormente. Estudos recentes baseados em exames químicos de cristais de feldspato preservados em rochas muito antigas da Austrália Ocidental mostram que o crescimento continental mais expressivo só começou cerca de 3,5 bilhões de anos atrás, isto é, aproximadamente um bilhão de anos após a formação da Terra.
Continentes X Terra
Essa descoberta foi possível graças a técnicas de alta precisão aplicadas a cristais que atuam como uma espécie de “impressão digital” do manto terrestre original — a camada interna sob a crosta da Terra. Ao estudar a composição química desses cristais, os cientistas conseguiram determinar quando a crosta continental começou a se destacar de maneira mais clara, revelando que a formação de massas continentais significativas não foi um evento imediato após o nascimento do planeta, mas sim um processo gradual.
Os dados também ajudaram a reforçar a teoria de que a Terra e a Lua compartilhavam uma composição inicial muito semelhante pouco depois do início do Sistema Solar. Essa semelhança química apoia a hipótese de que a Lua se formou a partir de um impacto gigante entre a Terra primitiva e um corpo do tamanho de Marte, um dos eventos mais aceitos para explicar a origem do satélite natural.
Essa perspectiva revisada confronta interpretações mais antigas de que a crosta continental teria se desenvolvido rapidamente. Ao invés disso, o novo modelo sugere que o processo evolutivo da crosta terrestre — incluindo a formação de grandes blocos continentais — foi muito mais longo e complexo. Isso não apenas altera a compreensão do desenvolvimento geológico da Terra como também influencia como cientistas pensam sobre o ambiente que eventualmente favoreceu o surgimento e a estabilização da vida no planeta.
Diferentes hipóteses continuam sendo exploradas sobre os mecanismos que permitiram o surgimento inicial dos continentes. Enquanto teorias mais antigas enfatizavam a importância das placas tectônicas e zonas de subducção (onde uma placa desliza para baixo de outra) para formar crosta continental, pesquisas modernas também estão investigando processos internos do manto terrestre, como plumas de material quente ascendendo das profundezas, que podem ter desempenhado papel fundamental nas fases iniciais da formação continental.