Tribos bárbaras, invasões napoleônicas, nazismo: 700 anos de rivalidade marcam a história da cidade-sede da final da Copa
A região às margens do rio Spree, ao norte do Danúbio e rumo ao mar Báltico, sempre foi alvo de disputas e refregas. Os registros mais antigos dão conta da presença de populações vivendo da exploração das florestas e da caça, no século 3 a.C. Mas até o século 1, o que se sabe dessas tribos é que eram boas de agricultura, de caça e de guerra. Os romanos, que não se arriscavam muito por ali, chamavam a região – que incluía as atuais Rússia e Ucrânia – de Germânia, como aparece nos mapas do historiador Cornélio Tácito.
De lá, muitas dessas tribos saíram, no século 4, para colocar fim ao império de Tacitus. Com a migração dos germânicos, a região foi ocupada por povos eslavos, vindos do leste. O território só voltaria às mãos germânicas em 948 com Oto I, imperador do Sacro Império Romano-Germânico. Mas não por muito tempo. Em 983, os eslavos reocuparam o local, dominando-o por mais 150 anos. No século 11, germânicos restabeleceram seu poder, quando o guerreiro saxão Albrecht cristianizou os povos da região e tornou-se o primeiro duque de Brandemburgo. O primeiro documento histórico berlinense é de 1237, e fala sobre as povoações de Colln e Berlim, situadas uma em cada margem do Spree. Em 1307, as duas localidades aliaram-se e constituíram uma só cidade: Berlim.
Mas foi no século 15, com a intervenção do Sacro Império Romano-Germânico, que a cidade cresceu e se tornou sede da dinastia Hohenzollern, que governaria por 500 anos.
A reforma protestante, no século 16 (que, aliás, começou perto dali – foi a 120 quilômetros de Berlim, no castelo de Wittemberg, que o monge Martinho Lutero expôs suas 95 teses desafiando o poder do Papa), dividiu o país, colocando-o na alça de mira das grandes potências da época – Suécia, Áustria, Dinamarca, Boêmia e França. Em nome da fé, católicos e protestantes travaram a Guerra dos Trinta Anos. Ao fim dos combates, em 1648, Berlim contou os estragos: um terço de suas casas fora destruído e 40% da população, morta. A Alemanha devastada tornou-se uma colcha de retalhos de 234 reinos, 51 cidades autônomas e um sem-número de minirreinos, principalmente no oeste. No leste, consolidavam-se Estados poderosos, como Bavária, Saxônia e Brandemburgo.
Em 1701, Brandemburgo se une a territórios vizinhos e se proclama o reino da Prússia, com sede em Berlim. A cidade se transforma em pólo cultural, artístico e científico da Europa, rivalizando com Viena, na Áustria, pelo predomínio entre as cidades de língua germânica. Em 1806, Berlim é tomada por tropas francesas durante as guerras napoleônicas. A invasão francesa e a natural reação a ela, no entanto, tiveram um efeito inesperado: unificaram os pequenos reinos do oeste sob influência prussiana.
A Prússia (e Berlim) se tornaria então a sede da revolução industrial na Alemanha. Em 1837 surge a primeira fábrica de locomotivas. No ano seguinte, a primeira linha férrea, ligando Berlim a Potsdam. Nascem e florescem os pensamentos filosóficos de Marx, Engels, Hegel, Schopenhauer e Max Stirner, a poesia de Goethe e os movimentos sindicais. Sob o comando da Prússia e com a mão forte do chanceler Bismark, as nações germânicas são unificadas em 1871 e Berlim se torna a capital do Império.
Efêmero, ele durou apenas até 1918, quando, na Alemanha derrotada por França, Inglaterra e Rússia na Primeira Guerra Mundial, é proclamada a República de Weimar. As indenizações impostas pelos vencedores geram 450 mil desempregados em Berlim, resultado da inflação que empobrece seus 4 milhões de habitantes. A situação estimulou o nacionalismo que culminou na ascensão do Partido Nazista, de Hitler. E Berlim passou a ser a capital do Terceiro Reich. Com a queda do nazismo, em 1945, a Alemanha é dividida em duas em 1949 e Berlim é ocupada e repartida pelos Aliados. Em 1961, os comunistas erguem o Muro de Berlim, que, separando a cidade em dois territórios, tornou-se símbolo da Guerra Fria entre soviéticos e americanos. O muro foi derrubado em 1989 e a Alemanha, reunificada no ano seguinte.
Guerras e uma constante instabilidade marcaram a história de Berlim – além de diversos braços fortes, a maior parte composta por estrangeiros.
1415 dinastia de Frederico
Ungido por Sigismundo, o todo-poderoso do Sacro Império Romano-Germânico, Frederico de Hohenzollern assumeo território de Brandemburgo. Sua dinastia perduraria até 1918.
1701 unificação da Prússia
Neto de Frederico de Hohenzollern, outro Frederico, o III, unifica Prússia e Brandemburgo, é coroado rei da Prússia e sobe ao trono em Berlim com o título de Frederico I.
1806 invasão de Napoleão
Napoleão derrota o exército prussiano e, como símbolo da vitória, leva para Paris a Quadriga, escultura que adornava o topo do Portão de Brandemburgo, construído em 1788 pelos prussianos.
1862 império alemão
Otto von Bismarck, chanceler da Prússia, lidera o país em guerras contra França, Áustria e Dinamarca, unifica as nações germânicas sob a liderança da Prússiae cria, em 1871, o Império Alemão.
1933 início do nazismo
Numa crise econômica, o austríaco Adolf Hitler, do Partido Nacional Socialista, é eleito chanceler e conquista o apoio da maioria dos alemães. Berlim vira a capital do Terceiro Reich nazista.
1945 invasão soviética
Entre abril e maio, no período conhecido como Batalha por Berlim, os soviéticos invadem a cidade com 2,5 milhões de soldados, 6 300 tanques e 7 500 aviões, deixando um rastro de destruição.
1961 muro da divisão
Um muro é erguido pelos soviéticos para separar fisicamente a República Federativa da Alemanha e a República Democrática da Alemanha, criadas em 1943. Em 1989, o Muro de Berlim cai.