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Estátua grega de 2 mil anos é alvo de teoria de viagem no tempo

Escultura preservada no Museu Getty voltou a viralizar após internautas compararem objeto segurado por mulher a um laptop moderno

Os teóricos da conspiração alegaram que uma estátua de pedra de 100 a.C. retrata uma mulher usando um laptop moderno, completo com portas USB na lateral. - Créditos: The J. Paul Getty Museum, Villa Collection, Malibu, California.

Uma escultura da Grécia Antiga voltou a chamar atenção nas redes sociais após alimentar uma antiga teoria da conspiração envolvendo viagem no tempo. Datada de cerca de 100 a.C., a obra conhecida como “Grave Naiskos de uma Mulher Entronizada com um Atendente” passou a ser compartilhada por internautas que acreditam que ela retrata um objeto semelhante a um laptop moderno.

Atualmente exposta no Museu J. Paul Getty, na Califórnia, a escultura mede aproximadamente 94 centímetros de altura e representa uma mulher de alto status social sentada em uma cadeira semelhante a um trono. Ao seu lado, uma jovem atendente segura um objeto retangular com tampa aberta, enquanto a personagem principal estende a mão em sua direção.

De acordo com o The Guardian, foi justamente esse detalhe que deu origem às especulações. Para alguns usuários das redes sociais, o objeto seria surpreendentemente parecido com um computador portátil. Outros chegaram a afirmar que pequenos orifícios esculpidos em uma das laterais lembrariam portas USB presentes em notebooks atuais.

As imagens da peça voltaram a circular na internet em meio ao aumento de publicações de pessoas que afirmam ser viajantes do tempo. Entre elas está Adam Archon, que diz ter vindo do futuro e afirma que a tecnologia de viagem temporal será revelada ao público em 2028, embora, segundo ele, ela exista desde 1981. No entanto, nenhuma evidência foi apresentada para comprovar essas declarações.

O que dizem os especialistas?

Outras imagens da Grécia Antiga por volta de 500 a.C. pareciam mostrar estudiosos usando um laptop e uma caneta, embora os objetos tenham sido descartados como comprimidos de cera. – Wikimedia

Apesar da repercussão nas redes sociais, arqueólogos e os curadores do Museu J. Paul Getty descartam qualquer relação da escultura com tecnologias modernas.

Segundo o museu, o objeto retratado deve ser interpretado como uma caixa de joias. A conclusão foi alcançada após a comparação da peça com outros relevos funerários da Grécia Antiga, nos quais mulheres aparecem retirando adornos e fitas de recipientes semelhantes.

Embora alguns internautas argumentem que a caixa parece rasa demais para armazenar objetos, os especialistas afirmam que esse tipo de representação era comum na arte funerária do período e fazia parte da iconografia utilizada para retratar mulheres pertencentes à elite da sociedade grega.

Casos semelhantes alimentam teorias

Imagens do show final de Elvis Presley, Uma fotografia, capturada em uma rua movimentada em Reykjavik, Islândia, em 1943 durante a Segunda Guerra Mundial e Uma teoria semelhante surgiu das imagens de uma luta de boxe de Mike Tyson em 1995. – Créditos: Reddit, Kristján Hoffmann/Facebook, YouTube

Esta também não é a primeira vez que obras da Antiguidade despertam interpretações semelhantes. Segundo o texto, outras peças produzidas por volta de 500 a.C. mostram personagens segurando objetos retangulares enquanto escrevem com um estilete, imagens que alguns usuários da internet costumam comparar a tablets modernos utilizados com canetas digitais.

No entanto, essas representações são amplamente identificadas por especialistas como tábuas de cera, utilizadas pelos gregos para fazer anotações antes da invenção do papel.

As comparações também se estendem a fotografias e vídeos frequentemente citados por defensores da viagem no tempo. Entre os exemplos mais conhecidos estão imagens do último show de Elvis Presley, em 1977, nas quais um espectador parece segurar um smartphone, além de registros da Segunda Guerra Mundial e de uma luta de Mike Tyson, em 1995, que também deram origem a interpretações semelhantes.

Embora a teoria da relatividade geral de Albert Einstein seja frequentemente mencionada em discussões sobre viagem no tempo, até hoje não existe qualquer evidência científica de que seres humanos tenham conseguido viajar ao passado ou desenvolvido uma tecnologia capaz de tornar isso possível.

Assim, enquanto a comunidade científica considera que a escultura representa apenas um objeto comum da Grécia Antiga, a semelhança visual com dispositivos modernos continua alimentando a curiosidade de internautas e reacendendo debates sobre uma das teorias mais populares da internet.