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“Nenhuma formiga carrega o peso sozinha”: a ciência prova por que o provérbio africano é real

Pesquisas comprovam que a organização das colônias permite uma cooperação superior à humana, eliminando a queda de esforço individual em grupos grandes

Trabalho em equipe das formigas - Foto: Getty Images

O antigo ditado popular africano que afirma que “nenhuma formiga carrega o peso do formigueiro sozinha, mas cada uma carrega dez vezes o próprio peso” encontrou respaldo em evidências científicas recentes: de acordo com informações publicadas pela CNN Brasil, estudos sobre a eficiência do trabalho em equipe demonstram que certas espécies de formigas possuem mecanismos biológicos e mecânicos que transformam a união do grupo em um motor de resultados impossíveis para indivíduos isolados. 

Essa supereficiência animal desafia padrões observados em sociedades humanas, onde a coordenação coletiva nem sempre resulta em ganho de força proporcional.

Efeito Ringelmann superado

A ciência utiliza como base de comparação um estudo de 1913 conduzido pelo engenheiro francês Max Ringelmann. Ele identificou que, em grupos humanos, o esforço individual tende a diminuir conforme o número de participantes aumenta, um fenômeno batizado de “Efeito Ringelmann”. 

Em experimentos com pessoas, o empenho individual caiu para 85% em trios e chegou a apenas 50% em grupos de oito integrantes. No entanto, observações laboratoriais com formigas-tecelãs (Oecophylla smaragdina) revelaram um comportamento oposto, onde a força total de tração cresce de forma superlinear em relação ao tamanho da colônia.

Mecânica da cooperação

A explicação para esse desempenho extraordinário está em uma divisão técnica de funções dentro das cadeias de cooperação. Ao unir folhas para construir seus ninhos, as formigas formam correntes segurando as mandíbulas na cintura umas das outras. 

Nesse sistema, as formigas posicionadas na frente e no meio atuam como “puxadoras ativas”, enquanto as que ficam na retaguarda funcionam como “resistores passivos”. Conforme a CNN Brasil, esse arranjo é tecnicamente chamado de “modelo de catraca de força”, sistema que garante a estabilidade da corrente e permite o armazenamento de energia mecânica para transportar cargas muito superiores ao peso dos próprios insetos.

Resultados da disciplina

A organização dessas colônias altamente estruturadas reflete pilares como consistência, disciplina e responsabilidade individual em prol do coletivo. O sucesso biológico das formigas confirma que grandes obras não são construídas de forma imediata, mas resultam da soma de pequenos esforços repetidos e de uma coordenação precisa entre todos os membros de uma comunidade. 

Diferente do que ocorre em grupos humanos, a produção de força por cada formiga aumenta em vez de diminuir quando mais indivíduos se unem à tarefa, o que valida a sabedoria popular sobre a força da união absoluta.


*Sob supervisão de Felipe Sales Gomes

Meu propósito é dar voz a narrativas.