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Estudo revela como roedores sobrevivem a 7 mil metros de altitude

Pesquisadores descobriram mecanismos biológicos que permitem que espécie de roedores viva no topo de vulcões dos Andes

camundongo roedores
Imagem meramente ilustrativa - Pixabay/carlitocanhadas

Uma equipe internacional de pesquisadores descobriu como a espécie de roedores dos camundongos-da-folha-andinos (Phyllotis vaccarum) consegue sobreviver em alguns dos ambientes mais inóspitos do planeta. Publicado na revista científica Science, o estudo revela que esses pequenos mamíferos desenvolveram adaptações evolutivas que lhes permitem viver no topo de vulcões dos Andes, a quase 6.800 metros de altitude.

A espécie ganhou notoriedade em 2020, quando cientistas registraram os roedores no cume do vulcão Llullaillaco, na fronteira entre Argentina e Chile, a 6.739 metros acima do nível do mar. Até então, acreditava-se que mamíferos não conseguiam sobreviver acima de cerca de 5.500 metros.

Roedores na altitude

Para entender como esses animais enfrentam frio intenso, falta de oxigênio e escassez de água e vegetação, pesquisadores acompanharam populações que vivem em diferentes altitudes entre 2020 e 2023. As expedições combinaram escaladas em montanhas com a captura e análise dos animais em laboratório.

Os testes mostraram que os camundongos das maiores altitudes são mais eficientes em manter a temperatura corporal e os níveis de oxigênio do organismo do que indivíduos da mesma espécie encontrados em regiões mais baixas.

Além disso, o sequenciamento do genoma revelou outra adaptação importante: alterações genéticas que permitem aos animais digerir plantas que normalmente seriam tóxicas para outros mamíferos. Essa capacidade amplia as fontes de alimento disponíveis nos vulcões, onde a vegetação é extremamente escassa.

Os pesquisadores também observaram mudanças no comportamento. Nas maiores altitudes, os camundongos são mais ativos durante o dia, possivelmente porque as temperaturas são menos rigorosas e há poucos predadores na região.

Segundo os autores, as descobertas demonstram como a evolução pode encontrar soluções para condições consideradas extremas. Apesar das adaptações específicas, as diferentes populações permanecem geneticamente muito semelhantes, indicando que ainda existe troca de indivíduos entre áreas de baixa e alta altitude. Para os cientistas, o camundongo-andino pode ser o mamífero que vive na maior altitude conhecida na Terra.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.