Notícias / Mundo

Pangolin ‘aurita’ é redescoberto por brasileiro após 150 anos

Especialista brasileiro utiliza espécime de 200 anos para identificar presença de pangolin “aurita”; esses são os animais mais traficados do mundo

Foto de Pangolin ‘aurita’ asiático taxidermizado
Foto de Pangolin ‘aurita’ asiático taxidermizado - Créditos: Getty Images

Uma antiga tradição local diz que as escamas dos pangolins são afrodisíacas. Essa lenda, sem comprovação, foi responsável pelo tráfico em massa desses animais, levando-os à ameaça de extinção

No entanto, com a diminuição frequente dos animais, uma espécie não reconhecida de pangolin asiático, a Manis aurita, foi identificada pela primeira vez depois de décadas por um pesquisador brasileiroA descoberta pode ajudar na preservação dos animais e foi publicada hoje na revista Communications Biology.

Conforme o comunicado deixado pelo pesquisador brasileiro, Anderson Feijó, mamologista no Museu Field, em Chicago, formado pela Universidade Federal da Paraíba (UFPA), sobre a preservação dos pangolins disse:

Não podemos proteger o que não sabemos, e agora que confirmamos que essa outra espécie de pangolim existe, podemos usar essa informação para ajudar a proteger esses animais em extinção,”.

Imagem meramente ilustrativa de dois pangolins
Imagem meramente ilustrativa de dois pangolins – Shukran888/ Creative Commons/ Wikimedia Commons

Os pangolins ‘aurita’

Acontece que ano passado, um grupo de cientistas lançou uma nota dizendo que os pangolins chineses (Manis pentadactyla) não eram todos iguais. Ou seja, o que há muito tempo era considerado uma única espécie, na verdade eram duas, uma que vive majoritariamente na China e outra que é encontrada nas proximidades do Himalaia, em partes do Nepal, Índia, Butão e Mianmar.

Conforme a Popular Science, essa diferenciação recente gerou duas nomenclaturas, o Manis indoburmanica, ou o pangolim indo-birmanês. Contudo, para Feijó e sua equipe, que já estavam traçando a árvore genealógica dos pangolins há uma década, as novas classificações eram muito parecidas com a descrição feita em 1836 do Manis aurita.

Embora essa classificação tivesse substância, ao passar do tempo o aurita foi rebaixado para sub espécie do pangolim chinês. Por isso, os pesquisadores foram atras de um exemplar de aurita para comparar com o indoburmanica e entender se são mesmo espécies diferentes.

A identificação e a redescoberta

Para tal, entraram em contato com museus e arquivos que tinham pangolins aurita taxidermizados e guardados. Assim, ao analisar o DNA dos dois espécimes, foi possível identificar que o M. indoburmanica deveria ser chamado na verdade M. aurita.

De acordo com a equipe, as diferenças entre o pangolim do Himalaia M.aurita (aquela que foi brevemente conhecida como M. indoburmanica) e o pangolim chinês são sutis, mas dignos de nota. Comparado com o pangolim chinês, o pangolim do Himalaia tem um corpo maior, uma cauda mais longa e orelhas distintamente menores. Feijó, o brasileiro, complementa:

O nome da espécie recém-ressuscitada, aurita, até se refere às suas orelhas distintas,”.

Porém, sobre a preservação, os pesquisadores anunciaram:

Nos marketplaces você basicamente só encontra escamas de pangolim, não os animais inteiros, o que torna difícil saber quais espécies estão sendo caçadas e de onde elas estão vindo,”.

Desse modo, as novas análises de DNA podem ajudar os cientistas a identificar com precisão as espécies de pangolins que estão sendo caçadas. Nesse sentido, o próximo passo na preservação desses animais é a localização de seus habitats e proteção dos caçadores ilegais.


*Sob supervisão de Felipe Sales Gomes

Historiador em formação que troca qualquer "sextou" por fofocas de época e análise econômica. Traduzo o mundo via cultura, provando que o passado é o melhor spoiler do presente. Quer entender como a engrenagem realmente gira? O convite para a viagem está nos meus artigos: