Entenda o Círculo de Fogo — e o que ele tem a ver com terremotos na Venezuela, Japão, Rússia e EUA
O chamado Círculo de Fogo é considerado a principal zona de instabilidade geológica do mundo, concentrando cerca de 90% dos terremotos registrados no planeta

A incidência de dois fortes terremotos na Venezuela fez com que as atenções se voltassem para o país sul-americano na noite de ontem, 24. No entanto, os tremores registrados no território venezuelano não foram casos isolados. Nas últimas horas, diferentes regiões do planeta, incluindo o norte da Califórnia, a Península de Kamchatka, na Rússia, e áreas próximas ao Japão, também registraram atividade sísmica, assim reacendendo o interesse pelo chamado Círculo de Fogo do Pacífico.
Como explica uma matéria do portal Globo, o termo é utilizado para descrever uma extensa faixa de vulcões, fossas oceânicas e falhas tectônicas que acompanha as bordas do Oceano Pacífico. Mas vale frisar: apesar do nome, a formação em questão não possui um formato perfeitamente circular. Na verdade, ela se assemelha mais a uma gigantesca ferradura com cerca de 40 mil quilômetros de extensão, que parte do extremo sul da América do Sul, percorre a costa oeste das Américas, alcança o Estreito de Bering, atravessa o Japão e o Sudeste Asiático e segue até a Nova Zelândia. A região ainda inclui vulcões ativos e adormecidos localizados na Antártica.
Uma zona instável
A faixa é considerada a principal zona de instabilidade geológica do mundo e se destaca por concentrar aproximadamente 90% dos terremotos registrados no planeta, além de cerca de 75% de todos os vulcões ativos existentes. São cerca de 452 vulcões distribuídos ao longo dessa vasta área.
A intensa atividade sísmica e vulcânica da região é consequência direta do movimento das placas tectônicas, estruturas gigantescas que estão em constante deslocamento sobre o manto terrestre. Quando duas placas colidem, se afastam ou deslizam lateralmente uma em relação à outra, a energia acumulada pode ser liberada na forma de terremotos, erupções vulcânicas ou na criação de grandes estruturas geológicas.
Boa parte dos fenômenos observados no Círculo de Fogo se dá em zonas de convergência. E aqui destacamos um fenômeno chamado subducção, que é quando uma placa mergulha sob outra. Esse processo gera profundas fossas oceânicas e favorece a formação de magma, que pode ascender à superfície e alimentar cadeias vulcânicas. Um exemplo está nas Ilhas Aleutas, no Alasca, ligadas à Fossa Aleuta. Nessa região, a Placa do Pacífico afunda sob a Placa Norte-Americana. A fossa alcança 7.679 metros de profundidade e a cadeia de ilhas abriga 27 dos 65 vulcões historicamente ativos dos Estados Unidos.
Na América do Sul, um mecanismo semelhante ocorre ao longo da Cordilheira dos Andes. Ali, explica o Globo, a Placa de Nazca mergulha sob a Placa Sul-Americana, processo responsável tanto pela intensa atividade sísmica quanto pela formação de vulcões. Entre eles está o Nevados Ojos del Salado, localizado na fronteira entre Chile e Argentina, que, com 6.879 metros de altitude, é considerado o vulcão ativo mais alto do planeta.
Limites divergentes e transformantes
Nem todas as áreas do Círculo de Fogo, porém, são formadas por zonas de colisão. Existem também regiões divergentes, onde as placas se afastam gradualmente. Nesses locais, o magma sobe do interior da Terra, resfria-se ao entrar em contato com a água do oceano e forma nova crosta oceânica. A Elevação do Pacífico Leste é um dos principais exemplos desse fenômeno e está associada às placas do Pacífico, de Cocos, de Nazca e Antártica. A área também abriga diversas fontes hidrotermais no fundo do mar.
Como destaca a fonte, há ainda os chamados limites transformantes, nos quais as placas deslizam horizontalmente uma ao lado da outra. O atrito entre elas impede que o movimento ocorra de forma contínua, o que faz com que tensões se acumulem ao longo do tempo. Terremotos de grande intensidade ocorrem justamente quando essas tensões são liberadas. Um exemplo bastante conhecido é a Falha de San Andreas, na Califórnia. Com cerca de 1.287 quilômetros de extensão, a área marca o limite entre a Placa do Pacífico e a Placa Norte-Americana. Foi justamente nessa falha que ocorreu o devastador terremoto de San Francisco, em 1906, que matou aproximadamente 3 mil pessoas e deixou metade da população da cidade sem ter onde morar.