Matérias / Segunda Guerra Mundial

O navio que perdeu 80% de sua tripulação durante o ataque a Pearl Harbor

Navio dos EUA contava com mais de 1500 tripulantes, mas poucos sobreviveram ao ataque japonês ocorrido em 7 de dezembro de 1941

O USS Arizona afundou após ser atingido por uma bomba japonesa - Crédito: Arquivos Nacionais dos EUA

Quando aviões japoneses atacaram a base naval dos EUA em Pearl Harbor, em 7 de dezembro de 1941, um enorme cenário de destruição se estabeleceu. Naquele dia, morreram ao todo 2.403 pessoas, sendo metade delas tripulantes de uma embarcação chamada USS Arizona.

O triste fim dos ocupantes da embarcação norte-americana se deu poucos minutos após o início do ataque japonês, quando um projétil perfurante atravessou partes da estrutura do navio e detonou próximo aos depósitos de armamentos. Naquele momento, uma grande reação em cadeia ocorreu, levando a uma enorme explosão que rasgou o couraçado e o afundou quase que de imediato, tirando a vida de 1.177 pessoas.

Origem do couraçado

Com cerca de 185 metros de comprimento e comissionado em 1916, o USS Arizona era um dos mais poderosos navios da frota americana e, na ocasião, estava equipado com canhões de grande calibre e tubos de torpedo. Apesar disso, e do fato de ter sido concluído durante a Primeira Guerra Mundial, o gigante dos mares não chegou a participar de combates naquele primeiro conflito.

Conforme informações do portal All That’s Interestinga, nos anos seguintes, o couraçado desempenharia principalmente funções de treinamento e patrulha, mas fez também parte de missões diplomáticas e humanitárias. Depois, com o avanço das tensões internacionais na década de 1930 e o início da Segunda Guerra Mundial na Europa, a importância estratégica da Frota do Pacífico aumentou consideravelmente. Assim, em 1940, a frota americana seria transferida da Califórnia para o Havaí. O objetivo? Demonstrar força diante da expansão japonesa no Pacífico. O Arizona passou então a operar a partir de Pearl Harbor, onde permaneceria até o dia de sua destruição.

Como lembra a fonte, meses antes do ataque, o navio em questão sofreu danos após uma colisão com o USS Oklahoma. Uma revisão completa estava prevista, mas os reparos acabaram sendo adiados. Por isso, a embarcação ficou ancorada em Pearl Harbor.

O Memorial do USS Arizona em Pearl Harbor – Crédito: Marinha dos EUA

Chegam os japoneses

Na manhã de 7 de dezembro de 1941, pouco antes das oito horas, centenas de aeronaves japonesas surgiram sobre a ilha de Oahu. A primeira das bombas atingiu a base de hidroaviões próxima na Ilha Ford. Logo depois, os navios ancorados no porto tornaram-se alvos.

Entre os sobreviventes do Arizona estava James Vessels, que comentou, anos mais tarde sobre a confusão dos primeiros momentos do ataque:

“Quando essa bomba explodiu”, disse Vessels, “… Não conseguíamos entender o que estava acontecendo. Então olhamos para cima e lá veio um avião torpedeiro pelo porto com um grande sol nascente pintado na lateral.” Assim, perceberam que se tratava de um ataque japonês em grande escala.

Poucos minutos depois, veio o golpe fatal: o projétil que atingiu o Arizona provocou uma explosão tão poderosa que o navio chegou a ser momentaneamente lançado para fora da água. A força da detonação praticamente partiu a embarcação ao meio e, em questão de minutos, ela afundou no fundo do porto.

Cenas de horror

O que exatamente aconteceu dentro do navio ainda é debatido, mas a explicação mais aceita sustenta que a bomba penetrou até um dos paióis principais, detonando grandes quantidades de munição. Outra hipótese sugere que materiais explosivos armazenados temporariamente fora dos depósitos contribuíram para ampliar a destruição.

Fato é que, à medida que o Arizona afundava, toneladas de combustível vazaram para a água e pegaram fogo. As chamas se espalharam pela superfície do porto, criando uma armadilha mortal para aqueles que tentavam escapar. Muitos marinheiros ficaram presos no interior do navio, enquanto outros enfrentaram queimaduras graves ao tentar alcançar áreas seguras.

Os relatos dos sobreviventes descrevem verdadeiras cenas de horror. Homens gravemente feridos corriam pelos conveses antes de desabar, enquanto corpos carbonizados se acumulavam entre os destroços. O incêndio continuou por dois dias após o bombardeio. Enquanto isso, os Estados Unidos reagiam ao ataque. Em 8 de dezembro, o país declarou guerra ao Japão. Três dias depois, a Alemanha nazista declararia guerra aos Estados Unidos.

Dos 1.512 tripulantes que estavam a bordo naquela manhã, quase 80% perderam a vida. Nenhuma outra embarcação americana sofreu perdas humanas tão elevadas em um único ataque.

Embora sobreviventes tenham sido retirados de outros navios danificados, as condições no interior do Arizona tornavam qualquer operação inviável. No fim, as autoridades decidiram deixar os corpos de cerca de 900 tripulantes onde estavam. Por isso, nas décadas seguintes, vários sobreviventes solicitaram que, após suas mortes, tivessem suas cinzas depositadas junto aos restos do navio. Seria uma forma de se reunir com os companheiros que não tiveram a mesma sorte em 1941.

Embora algumas partes tenham sido recuperadas e reutilizadas, a maior parte do couraçado permaneceu onde afundou. Em 1962, foi inaugurado um memorial sobre seus destroços.


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Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.