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Fragmento de placa extinta pode ameaçar a falha de San Andreas

Estudo revela que fragmento da antiga Placa Farallon está preso ao fundo do Pacífico, aumentando a pressão sob a crosta e alterando o risco sísmico na América do Norte

Imagem mostra parte da Falha de San Andreas / Créditos: Getty Images

Cientistas descobriram o fragmento de uma placa tectônica que estava perdida há muito tempo. A estrutura geológica foi identificada deslizando sob o continente norte-americano, na parte sul da zona de subducção de Cascadia, e pode representar um novo risco de terremotos para a região.

O achado é particularmente alarmante por sua proximidade com a falha de San Andreas, a mais famosa e perigosa rachadura na crosta terrestre dos Estados Unidos, conhecida por seu potencial destruidor.

A complexidade geográfica desse setor, conhecido como junção tripla de Mendocino, sempre desafiou os modelos sismológicos tradicionais. No entanto, a identificação do Fragmento Pioneer, pedaço de uma placa oceânica desaparecida há 30 milhões de anos, muda o entendimento sobre como a falha de San Andreas interage com Cascadia.

O estudo, publicado na quinta-feira, 15, na revista Science, foi liderado pelo geofísico David Shelly, do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), e utiliza dados inéditos de pequenos tremores para mapear o subsolo.

Peça oculta e pressão extrema

De acordo com informações repercutidas pela revista Live Science, os pesquisadores notaram que esse pedaço remanescente da antiga Placa Farallon não está apenas parado. Ele se move lateralmente em conjunto com a Placa do Pacífico, agindo como uma espécie de calço que aumenta a fricção nas profundezas da crosta.

Esse movimento interfere diretamente na dinâmica da falha de San Andreas, que corre paralelamente à costa californiana, criando uma zona de tensão muito mais instável do que se imaginava anteriormente.

Consequentemente, essa pressão adicional pode influenciar a frequência e a intensidade de abalos sísmicos que, até então, eram atribuídos apenas às falhas principais. A presença dessa “relíquia” geológica sugere que a zona de contato entre as placas é muito mais ampla, conectando sistemas que antes eram estudados de forma isolada.

Reciclagem e riscos futuros

Somado a isso, o estudo aponta para uma dinâmica de transferência de materiais rochosos que funciona como uma reciclagem constante entre as placas de Gorda e a Norte-Americana. Pedaços de crosta são arrancados e depois reintegrados ao sistema de subducção, criando camadas sobrepostas que dificultam a previsão de grandes rupturas.

Por esse motivo, eventos históricos como o terremoto de 1992 no Cabo Mendocino ocorreram em profundidades inesperadas, desafiando a lógica da geologia clássica.

Em última análise, a descoberta do Pioneer obriga os especialistas a revisarem os mapas de risco para todo o oeste americano. Entender o comportamento dessa peça oculta é fundamental para antecipar como o solo reagirá sob o estresse tectônico que alimenta tanto Cascadia quanto a falha de San Andreas.

Desse modo, o que parecia ser apenas um registro do passado geológico do planeta se revela agora como um fator decisivo para a segurança de milhões de habitantes da Califórnia e arredores.