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Primeira bolsa de couro de T. rex do mundo vai a leilão por US$ 500 mil

Criado em laboratório a partir de colágeno fóssil, o acessório de luxo estreia em Paris como marco da biotecnologia e da moda sustentável

Montagem mostra a bolsa confeccionada com colágeno de Tyrannosaurus rex cultivado em laboratório, o leiloeiro Alexandre Giquello e os detalhes do lote pré-histórico avaliado em mais de US$ 500.000 para leilão no Hôtel Drouot, em Paris - Reprodução/Vídeo/YouTube/Reuters

A exclusividade no mercado de luxo está prestes a ganhar um novo patamar com o leilão da primeira bolsa do mundo fabricada com couro de Tiranossauro rex cultivado em laboratório. O evento está marcado para o dia 11 de junho de 2026 no Hôtel Drouot, uma tradicional casa de leilões em Paris, onde a peça única desenhada pelo designer polonês Michal Hadas, fundador da marca Enfin Levé, será a grande atração. 

Com um lance inicial estimado em US$ 500 mil, o acessório busca unir a biotecnologia de ponta ao desejo por materiais raros, apresentando-se como uma alternativa ética às peles exóticas tradicionais.

Tecnologia encontra pré-história

O desenvolvimento deste material não envolveu o abate de animais, mas sim a ciência aplicada. Cientistas da empresa britânica Lab-Grown Leather, coordenada pelo professor de engenharia de tecidos Che Connon, utilizaram fragmentos de colágeno encontrados em fósseis de dinossauros descobertos nos Estados Unidos há cerca de vinte anos. 

Pesquisadores reconstruíram a sequência genética dessa proteína ancestral usando inteligência artificial e comparando-a com o DNA de aves modernas, como galinhas e avestruzes. Esse colágeno sintetizado foi então cultivado em biorreatores para criar uma estrutura tridimensional idêntica ao couro natural.

Luxo sem crueldade

Para os responsáveis pelo projeto, que inclui a agência criativa global VML, o objetivo é mostrar que o futuro da moda de alto padrão pode ser sustentável. De acordo com informações da BSF Enterprise, empresa de biotecnologia que controla a produção, o material é totalmente rastreável e biodegradável, consumindo significativamente menos recursos do que o couro bovino. 

O leiloeiro francês Alexandre Giquello, responsável por conduzir a venda em Paris, descreveu a peça como um marco histórico que desafia os limites entre a ciência e o mercado de artigos premium, repercute o New York Post.

Debate entre cientistas

Apesar do entusiasmo dos criadores, a inovação enfrenta ceticismo na comunidade acadêmica. Alguns paleontólogos, como o pesquisador Jan Dekker, argumentam que o material está mais próximo de um colágeno sintético baseado em aves do que de um dinossauro real, uma vez que o DNA orgânico não sobrevive por 66 milhões de anos. 

Ainda assim, o fascínio pelo rei dos dinossauros deve atrair colecionadores e investidores, consolidando o couro cultivado como a nova fronteira do consumo global consciente e tecnológico.


*Sob supervisão de Éric Moreira

Meu propósito é dar voz a narrativas.