Matérias / Segunda Guerra

Política de Apaziguamento: A arrogância da diplomacia que alimentou o Eixo

Ao adotarem a política de apaziguamento, França e Reino Unido cometeram erros graves de avaliação que fortaleceram Hitler e Mussolini antes do estopim da 2ª Guerra

Chamberlain, Daladier, Hitler, Mussolini e Ciano antes da assinatura do Acordo de Munique - Deutsches Bundesarchiv

A Segunda Guerra Mundial costuma ser explicada a partir das ambições expansionistas de Adolf Hitler, Benito Mussolini e dos militares japoneses.

Entretanto, a responsabilidade pelo caminho que levou ao conflito não pode ser atribuída apenas às potências agressoras. As grandes democracias europeias também cometeram erros graves de avaliação que acabaram fortalecendo exatamente aquilo que pretendiam evitar.

A arrogante diplomacia internacional, tentando acalmar fleumaticamente os apetites imperialistas das lideranças do Eixo, não soube interpretar a dimensão da ameaça que estava diante de seus olhos.

França e Reino Unido, especialmente, cometeram importantes erros de avaliação prévia, cujas consequências se revelariam devastadoras para toda a humanidade. O principal deles recebeu um nome aparentemente pacífico: política de apaziguamento.

++ As semelhanças entre Hitler, Mussolini e Hirohito

As concessões contínuas

Idealizada durante a década de 1930 pelo primeiro-ministro britânico Stanley Baldwin, essa estratégia diplomática tinha como objetivo evitar novos conflitos militares na Europa.

A idea consistia em negociar constantemente com Alemanha e Itália, aceitando exigências e fazendo concessões para impedir uma nova guerra continental.

Na prática, isso significava ceder. Sempre ceder. Territórios, acordos e benefícios econômicos eram entregues a Hitler e Mussolini na esperança de satisfazer suas ambições.

Em vez de conter os ditadores, a estratégia alimentava suas expectativas. Para se entender a situação, era como alimentar o cão que mais tarde morderia as mãos de quem o alimentava.

O problema não terminou com Baldwin. Seu sucessor, Neville Chamberlain, e o presidente do Conselho de Ministros da França, Édouard Daladier, não apenas mantiveram a política de apaziguamento como a oficializaram por meio do Tratado de Munique, assinado em 1938. Seria como entregar a chave do cofre aos ladrões.

A passividade

A aplicação dessa política ficou evidente quando os Aliados permitiram que a Alemanha anexasse a Áustria e não ofereceram resistência efetiva à ocupação da Albânia pela Itália fascista.

Ao mesmo tempo, o Japão expandia sua presença na China sem encontrar oposição internacional significativa. As consequências foram imediatas. Em 1937 e 1938, o Japão consumou o Massacre de Nanquim, um dos piores crimes de guerra da história.

Ainda assim, a comunidade política internacional não reagiu. A diplomática, menos ainda. Paris e Londres continuavam acreditando que era possível negociar. Washington também observava sem grande preocupação.

Nenhuma dessas potências compreendeu aqueles movimentos já militares como uma ameaça real.

Os testes de Hitler

Mas Hitler compreendia perfeitamente o que estava acontecendo. Cada invasão servia como um teste. O Führer avaliava as reações internacionais e percebia que praticamente não existiam consequências para seus atos.

As ocupações da Áustria, da Albânia e os avanços japoneses na Ásia eram apenas a ponta de um iceberg sangrento que ninguém conseguia enxergar. Esses movimentos preliminares deram confiança aos regimes do Eixo.

Nazistas, fascistas e militaristas japoneses sentiram que podiam avançar ainda mais. O resultado foi a explosão de uma violência que mais tarde assumiria a forma dos campos de extermínio nazistas, dos ataques kamikazes japoneses e de inúmeras outras barbaridades.

Quando finalmente a Alemanha invadiu a Polônia, em 1º de setembro de 1939, Reino Unido e França declararam guerra ao Terceiro Reich. Mas, fizeram muito pouco além disso. Os alemães chegaram a chamar aquele momento de sitzkrieg, a “guerra sentada”, numa referência sarcástica à ausência de ações militares efetivas.

Era tarde. O monstro já havia crescido. E, em grande medida, alimentado pelas próprias mãos daqueles que acreditavam poder controlá-lo.


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