Cientistas descobrem bactéria que produz DNA do zero em salto evolutivo
O microrganismo Drt3b utiliza a própria estrutura como molde para gerar sequências genéticas inéditas, abrindo portas para a medicina moderna

No coração dos estudos de biologia sintética em 2026, uma pesquisa publicada em abril na revista Science apontou uma descoberta de uma bactéria batizada de Drt3b está revolucionando os fundamentos da genética. Pesquisadores identificaram que este organismo possui a habilidade inédita de construir moléculas de DNA sem depender de qualquer molde ou sequência pré-existente.
O fenômeno é descrito pela comunidade científica como um salto evolutivo artificial que permite ao microrganismo gerar informações genéticas de maneira autônoma, repercute a Folha de S. Paulo.
Quebra do dogma biológico
Historicamente, a ciência seguia o chamado dogma central da biologia molecular, estabelecido pelo pesquisador britânico Francis Crick em 1958, um dos responsáveis por desvendar a estrutura em dupla hélice do DNA. Essa regra ditava que a informação genética fluía obrigatoriamente do DNA para o RNA e deste para as proteínas.
No entanto, o sistema encontrado na Drt3b funciona como uma impressora 3D molecular. Em vez de copiar um código herdado, a proteína da bactéria utiliza sua própria estrutura celular e aminoácidos para guiar a montagem dos blocos genéticos.
Defesa contra vírus invasores
A equipe co-liderada pelo biólogo molecular Stephen Tang e pelo bioquímico Samuel Sternberg, ambos da Universidade de Columbia, em Nova Iorque, observou que essa função é, na verdade, uma arma biológica potente. Segundo os relatos, o sistema permite que a bactéria se proteja contra ataques de vírus chamados bacteriófagos.
Quando infectada, a bactéria cria novos genes que produzem proteínas protetoras, interrompendo o ciclo de replicação do invasor e garantindo a sobrevivência do hospedeiro em ambientes hostis.
Futuro da biotecnologia moderna
Embora a descoberta desperte fascínio, ela também gera debates sobre os limites da manipulação da vida. A capacidade de gerar sequências sob demanda pode acelerar o desenvolvimento de medicamentos personalizados e de organismos capazes de degradar poluentes.
Contudo, conforme alertam especialistas, a autonomia genética desses microrganismos exige vigilância ética rigorosa para evitar que tais inovações escapem ao controle humano e impactem ecossistemas naturais de forma imprevisível.
*Sob supervisão de Éric Moreira