‘A Testemunha’: confira o crime real que inspirou a nova série da Netflix
Nova série lançada pela Netflix tem sido um grande sucesso e conta caso chocante que abalou o Reino Unido na década de 1990

A Netflix lançou, na última semana, a série “A Testemunha” (“The Witness”), que imediatamente se tornou um grande sucesso. Com apenas três episódios e estrelada por Jordan Bolger e Max Fincham, a produção conta uma história real que chocou o Reino Unido nos anos 1990.
O enredo gira em torno do assassinato de Rachel Nickell, uma mulher de 23 anos morta em julho de 1992 em um grande parque no sul de Londres, chamado Wimbledon Common. O crime, que ocorreu em plena luz do dia, teve um detalhe especialmente devastador: o filho da vítima, Alex, presenciou toda a cena. Era uma criança de apenas dois anos de idade que, coberta de sangue, pedia à mãe que acordasse. As investigações mais tarde revelaram que a jovem modelo havia sido vítima de 49 facadas no peito, pescoço e costas, além de violência sexual.
Vidas devastadas
O crime que tirou a vida de Rachel transformou completamente os dias de André Hanscombe, pai do pequeno Alex e companheiro da vítima. De uma hora para outra, ele se viu responsável por criar sozinho aquele garotinho que havia testemunhado um ato de extrema violência. Décadas mais tarde, pai e filho participariam da produção da Netflix como consultores, ajudando a reconstruir os acontecimentos de forma mais fiel possível.
Como diria Alex Hanscombe, diversos programas já haviam abordado o caso ao longo dos anos, mas nenhum conseguiu retratar plenamente a tragédia.
“Já demos entrevistas antes, e outros programas foram feitos sobre o assunto, mas, com as melhores intenções, eles apenas arranharam a superfície”, declarou o filho da jovem. “Acreditamos que a vida é uma batalha entre o bem e o mal, e que, embora o mal seja real, o poder do bem é sempre maior, e algo positivo pode surgir da dor e do sofrimento de todos. Queríamos homenagear o poder curativo do amor, da esperança e da fé em nossas vidas, e a importância de nunca desistir”, explicou ele, segundo o portal Tangerina, do UOL.

O desenrolar das investigações
O assassinato, é importante dizer, desencadeou uma das investigações mais problemáticas da história policial britânica. Sucedeu que, nos meses seguintes ao crime, a polícia interrogou centenas de pessoas e prendeu diversos suspeitos. Apesar da falta de provas concretas, os investigadores passaram a acreditar que Colin Stagg, um homem desempregado que costumava passear com seu cachorro pela região, era o responsável pelo homicídio.
Para tentar obter uma confissão, a polícia montou uma operação secreta envolvendo uma agente infiltrada que fingiu desenvolver um relacionamento amoroso com Stagg. A estratégia, idealizada com a ajuda do psicólogo forense Paul Britton, fracassou. Mesmo assim, Stagg chegou a ser acusado formalmente pelo assassinato.
O caso desmoronou em 1994, quando um juiz classificou a operação policial como uma prática enganosa e anulou o processo. Embora inocentado pela Justiça, Stagg continuou sendo alvo de suspeitas por parte da imprensa e da opinião pública durante anos.
O verdadeiro assassino
Enquanto isso, o verdadeiro assassino permanecia em liberdade. Somente mais de uma década depois os investigadores voltaram sua atenção para Robert Napper, um estuprador em série que já estava internado no hospital psiquiátrico de segurança máxima de Broadmoor. Em 2007, ele foi formalmente acusado pelo assassinato de Rachel Nickell e, no ano seguinte, confessou o crime alegando responsabilidade diminuída devido a graves problemas mentais.
Posteriormente, descobriu-se que Napper estava ligado a mais de 70 estupros e outros crimes sexuais. As investigações também revelaram falhas da polícia, que havia deixado de seguir pistas importantes relacionadas a ele anos antes. As autoridades britânicas chegaram a pedir desculpas públicas às vítimas e reconheceram erros graves cometidos durante as apurações.
Hoje, com mais de 60 anos, Napper continua internado em Broadmoor. Já Colin Stagg recebeu indenização do governo britânico pelos danos causados pela acusação injusta.
Além da série dramática, a Netflix lançou o documentário “O Assassinato de Rachel Nickell”, com 1 hora e 36 minutos de duração. Assim como em “A Testemunha”, André e Alex Hanscombe colaboraram diretamente com a produção.