Novo estudo desafia dogma da evolução e revela força das mutações
Pesquisa mostra que alterações genéticas positivas ocorrem com frequência, mas a instabilidade ambiental impede que elas se tornem permanentes

A biologia moderna acaba de passar por um abalo sísmico com a publicação de uma pesquisa publicada na Nature que foi realizada por profissionais da Universidade de Michigan. O biólogo evolucionista Jianzhi Zhang, que lidera o estudo, contesta a visão de que a evolução é movida majoritariamente pelo acaso.
Os novos dados revelam que as mutações benéficas, aquelas que ajudam na sobrevivência, são muito mais frequentes do que se imaginava, mas o planeta muda em um ritmo tão frenético que essas vantagens raramente conseguem se consolidar no código genético das espécies.
Dogma de décadas
Desde o final dos anos 1960, a comunidade científica seguia a Teoria Neutral da Evolução Molecular, proposta pelo biólogo japonês Motoo Kimura. Esse modelo sugeria que a maioria das mudanças duradouras no DNA era fruto do puro acaso, e não da seleção natural.
No entanto, ao analisar milhares de mutações em leveduras e na bactéria Escherichia coli, a equipe de Zhang descobriu que mais de 1% das alterações genéticas eram, na verdade, proveitosas. Conforme a revista Nature Ecology and Evolution, esse número é considerado astronômico em termos evolutivos e deveria acelerar drasticamente a adaptação dos seres vivos.
Alvo em movimento
A grande questão é por que essas melhorias não se tornam permanentes na natureza. A explicação reside na instabilidade do ambiente, em que uma mutação que garante vantagem hoje pode se tornar um fardo amanhã caso o clima ou a disponibilidade de recursos mudem.
Para provar essa tese, os pesquisadores realizaram experimentos com mais de mil populações de leveduras ao longo de 800 gerações. Nos grupos onde o ambiente era alterado frequentemente, as mutações positivas apareciam com força, mas perdiam sua utilidade e desapareciam antes de conseguirem se espalhar por toda a população.
Desajuste nos humanos
Essa descoberta possui implicações profundas para a compreensão da nossa própria espécie. De acordo com informações publicadas no site Science Daily, os seres humanos podem carregar genes que foram úteis em eras ancestrais, mas que estão desajustados para a vida moderna.
Zhang reforça que provavelmente nunca encontraremos uma população perfeitamente adaptada ao seu meio.
*Sob supervisão de Fabio Previdelli