Escavação revela raro tesouro funerário em antiga cidade do Egito
Arqueólogos egípcios encontraram joias, amuletos e recipientes cosméticos em necrópole ligada à antiga cidade de Heliópolis; confira!

Uma missão arqueológica do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito encontrou um raro conjunto funerário praticamente completo durante escavações na região de Ain Shams, no Cairo. A descoberta ocorreu na necrópole de Panhesy, ou Banhsi, área ligada à antiga cidade de Heliópolis, um dos mais importantes centros religiosos do Egito Antigo.
Segundo os arqueólogos, o conjunto foi localizado sob uma tumba construída com tijolos de barro que continha restos mortais humanos. À medida que os trabalhos avançaram para camadas mais profundas da sepultura, os pesquisadores identificaram uma coleção organizada de objetos pessoais, adornos e itens associados aos rituais funerários praticados na antiga cidade.
Entre os artefatos recuperados está um espelho de cobre, além de dois recipientes cosméticos de alabastro encontrados com as tampas ainda preservadas. Vestígios de kohl, substância amplamente utilizada na maquiagem dos antigos egípcios, permaneceram intactos no interior dos recipientes mesmo após séculos enterrados. A equipe também encontrou um terceiro recipiente destinado ao armazenamento de kohl, produzido em obsidiana negra, material raramente identificado em contextos funerários semelhantes.

O conjunto inclui ainda dois vasos de faiança azul-clara, dos quais, em um deles, foram encontrados seis escaravelhos decorados com incisões. Dois desses amuletos apresentavam engastes metálicos de tonalidade amarela compatível com ouro.
Também foram identificados diversos amuletos de faiança moldados em formas simbólicas ligadas às crenças religiosas egípcias. Entre eles estavam um amuleto em formato de pato e outro representando a coroa Atef, elemento associado à realeza e ao universo divino.
Os arqueólogos localizaram ainda quatro pedras ornamentais próximas ao depósito funerário. Duas delas são consideradas, preliminarmente, variedades de ágata. Uma pedra de coloração vermelho-rosada foi encontrada em uma moldura metálica amarela, possivelmente confeccionada em ouro. Outra apresentava aparência esverdeada semelhante à do lápis-lazúli.

As joias também integravam o conjunto funerário. Os pesquisadores recuperaram cinco pares de brincos com tamanhos variando entre 1,5 e 2,5 centímetros de diâmetro. Embora a composição das peças ainda esteja sendo analisada, os especialistas acreditam que tenham sido produzidas em ouro, repercute o Archaeology News.
A descoberta amplia os resultados obtidos durante a atual temporada de escavações na necrópole. Em etapas anteriores dos trabalhos, os arqueólogos já haviam identificado estruturas funerárias construídas com tijolos de barro e calcário, além de fragmentos de dois caixões. Um deles era feito de cerâmica, enquanto o outro era confeccionado em gesso dourado e decorado com pinturas vermelhas.
Dentro desse segundo caixão, a equipe encontrou restos humanos revestidos com douramento. Os pesquisadores acreditam que o indivíduo possa ter sido uma figura ligada ao meio militar. Próximo aos restos mortais também foi localizada uma moeda datada do período romano. Blocos de calcário com inscrições hieroglíficas completam o conjunto de achados recuperados na área.

Antigo complexo funerário
A necrópole de Panhesy integra o complexo funerário da antiga Heliópolis, conhecida pelos egípcios como Iunu ou On. A cidade foi durante séculos o principal centro de culto ao deus solar Rá e manteve grande relevância religiosa ao longo de diferentes períodos da história egípcia.
As evidências arqueológicas indicam que o cemitério permaneceu em uso durante várias fases históricas, desde o Período Tardio até os períodos romano e cristão primitivo. Para os pesquisadores, essa continuidade oferece uma oportunidade valiosa para compreender como os costumes funerários se transformaram ao longo do tempo em resposta a mudanças políticas, religiosas e sociais, conforme destacam em comunicado do Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito.
As autoridades responsáveis pelo projeto consideram a descoberta um passo importante para ampliar o conhecimento sobre Heliópolis, cujos vestígios permanecem parcialmente ocultos sob a expansão urbana do Cairo moderno. Novas escavações na necrópole deverão aprofundar o entendimento sobre as pessoas enterradas no local, sua posição social e os rituais associados à morte em uma das mais antigas paisagens sagradas do Egito.