Necrópole egípcia revela múmias de gatos e novas tumbas da nobreza
Necrópole de Luxor, localizada na Tebas egípcia, oferece novas informações sobre costumes funerários, vida religiosa e profissões do antigo Egito

Recentemente, arqueólogos que trabalham na necrópole de Abu el-Naga, localizada em Luxor, na antiga Tebas do Egito, descobriram novas tumbas e resquícios funerários que revelam mais informações sobre a vida no Antigo Egito.
Dentre os objetos encontrados há múmias de pequenos animais, principalmente gatos, e tumbas com mumificados completamente inéditos. Junto aos corpos mumificados haviam dados sobre funcionários públicos, famílias e até mesmo informações sobre os trabalhos religiosos egípcios.
O local e a escavação
Mesmo a região do Antigo Egito sendo investigada há centenas de anos, ainda hoje há descobertas significativas. Contudo, nesse caso, justamente as escavações anteriores que tamparam a entrada da seção sudeste da tumba de Roy, ou TT255 — assim, impedindo que fosse devidamente investigada até os dias atuais.
Após 150 anos enterrado sob os escombros deixados por escavações anteriores, esse trecho da tumba está sendo investigado pelo oitavo ano de missão arqueológica no local.
Dentre as descobertas mais notáveis, foi encontrado um grupo de dez caixões de madeira pintados. Esse grupo, muito bem preservado, está em um poço funerário no pátio da tumba de Baki, e ainda conta com cenas pintadas e inscrições hieroglíficas visíveis.
Ainda sobre os caixões, quatro deles datam da Décima Oitava Dinastia, sendo que um deles pertencia a uma mulher chamada Merit, a “cantora do deus Amon”. Outro data do período Ramesside, ou 21° dinastia, e pertencia a um sacerdote chamado Padi-Amun. Já os demais são de dinastias posteriores.
Conforme a Archaeology Magazine, o poço serviu como um espaço de armazenamento para túmulos retirados de suas posições originais. Muito provavelmente, foram translocados em contextos de conturbação política e militar do Egito Antigo. Tanto é que as múmias localizadas foram seriamente danificadas antes do enterro, principal fato que fundamenta essa tese.
Descobertas religiosas
No mesmo sentido, o túmulo de um sacerdote até então desconhecido, chamado Aa–Shefi–Nakhtu, que carregava o título “Sacerdote Purificador no Templo de Amon”, trouxe mais informações sobre a vida religiosa naquela civilização.
Perto de seu túmulo havia uma câmara de oferendas decoradas com textos funerários, os arqueólogos apontam como sinal de crença de “comunicação” com os mortos.
Porém, o que foi mais revelador é que dentro do túmulo havia menções a outro sacerdote de Amon, Padi–Amon, que também era pai do mumificado. Duas mulheres, nomeadas Ísis e Ta–Kaft são descritas como cantoras do templo de Amon e também aparecem em escrituras no sarcófago.
Dessa forma, outros escritos, juntos a esse descritos, revelaram mais detalhes sobre os rituais e o trabalho geracional realizado pelas famílias religiosas ao culto de Amon na Tebas egípcia.
Escriba, nobreza e gatos
No entanto, tamanha a riqueza das fontes da necrópole, houveram informações de uma pequena tumba rotulada DP91, onde escavadeiras descobriram uma pirâmide de arenito decorada com repetidas cenas de adoração, sobre um nobre do Egito Antigo.
Nomeado como Benji, o homem detinha os títulos de escriba e nobre, alto oficialato egípcio. Conforme os arqueólogos, a pirâmide de arenito já esteve sobre uma maior, de tijolos de barro, mas que provavelmente desabou e desapareceu. Como relatado acima, esses corpos foram realocados, sinal que as tumbas originais podem estar próximas.
Não obstante, em uma câmara foram encontrados mais de 30 gatos mumificados em tiras de linho e faixas de tecido. Contendo nesse grupo tanto animais domésticos, quanto selvagens de diferentes tamanhos.

Porquanto, os historiadores datam esses corpos como do período Ptolomaico, época em que múmias de animais serviam amplamente de oferendas religiosas. Aliás, o Ministério de Antiguidades e Turismo do Egito afirma que a vastidão de épocas históricas na região pode auxiliar as interpretações sobre o passado.
Em suma, as tumbas da Antiga Tebas Egípcia proporcionam um vasto conhecimento de processos funerários ao longo da história. Somente com a ala recentemente estudada é possível compreender mais de 500 anos de Egito. Porém, devido a novidade, não há estudos muito aprofundados sobre as estruturas encontradas nessa tumba.
*Sob supervisão de Éric Moreira