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Análise do ar: nova abordagem permite rastrear aromas do Egito antigo

Novo método de estudo químico permite que especialistas estudem o odor e práticas de embalsamento de múmias sem danificá-las

Mumia antiga, Museu do Louvre - Créditos: Gary Todd

Pesquisadores sempre relacionavam o cheiro de mofo presente em múmias à decomposição, mas novos estudos apontaram que o odor vem da mistura complexa de compostos orgânicos voláteis liberados pelos materiais de embasamento e pelos tecidos preservados.

O estudo examinou 35 amostras de bálsamos e bandagens retiradas de múmias com mais de 2.000 anos de história. Os pesquisadores encontraram nas amostras 81 compostos orgânicos voláteis distintos e os agruparam em quatro categorias relacionadas ao embalsamento. Gorduras e óleos produziram compostos aromáticos e ácidos graxos de cadeia curta. A cera de abelha contribuiu com ácidos graxos monocarboxílicos e compostos cinâmicos. Resinas vegetais liberaram compostos aromáticos e sesquiterpenoides. O betume produziu compostos naftênicos, mesmo em quantidades pequenas, de acordo com a Archaeology News.

Nesse estudo, os pesquisadores utilizaram o ar ao redor de múmias egípcias em vez de coletar amostras físicas. Em estudos tradicionais, geralmente é necessário fazer cortes em bandagens, danificando os restos mortais. A abordagem que a Universidade de Bristol fez utiliza a microextração em fase sólida no espaço da cabeça, combinada com a cromatografia gasosa e espectrometria de massa.

Com esse método é possível capturar gases presentes acima dos corpos mumificados.

Múmia de Ramsés I. – Créditos: Alyssa Bivins / CC BY-SA 4.0

Resultados

Os perfis de compostos voláteis eram diferentes em cada região do corpo, amostras da cabeça, em sua maioria, continham padrões de compostos diferentes das amostras do torso, indicando que os embalsamadores preparavam receitas distintas para diferentes partes do corpo.

Todos os resultados foram publicados no Journal of Archaeological Science, mostram uma ligação entre os perfis de composto voláteis e as composições do bálsamo.

Essa iniciativa ajuda a expandir o estudo das práticas funerárias do antigo Egito, fazendo os pesquisadores obtenham uma visão mais completa das receitas, das estratégias de preservação e dos materiais.

Além disso, a amostragem de ar é uma forma rápida e zero destrutiva para os exemplares, permitindo coletar informações químicas sem prejudicar a integridade do artefato histórico.


*Sob supervisão de Éric Moreira