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Nova análise de DNA reacende mistério sobre múmias ‘cabeça de cone’ encontradas no Peru

Pesquisadores analisaram dentes dos famosos crânios de Paracas, mas quantidade insuficiente de DNA impediu conclusões definitivas sobre suas origens

Esses crânios estão em exibição no Museu Regional de Ica, na cidade de Ica, no Peru. Eles estão relacionados aos têxteis de Paracas - Crédito: Marcin Tlustochowicz/Wikimedia Commons

Uma nova análise genética realizada em misteriosas múmias conhecidas como “cabeças de cone”, encontradas no Peru, voltou a alimentar debates sobre a origem dos famosos crânios alongados de Paracas.

O estudo, conduzido por pesquisadores da Liberty University e divulgado pelo Daily Mail Science, na Virgínia, Estados Unidos, não conseguiu obter material genético suficiente para determinar de forma definitiva a ancestralidade dos restos humanos, o que reacendeu teorias antigas envolvendo possíveis conexões extraterrestres.

Os crânios fazem parte de uma coleção com mais de 300 restos mortais descobertos por arqueólogos no Peru durante a década de 1920. Os chamados crânios de Paracas chamam atenção pelo formato extremamente alongado da cabeça, característica que há décadas desperta curiosidade entre cientistas, arqueólogos e entusiastas de teorias alternativas.

O que os cientistas analisaram

Na nova pesquisa, os especialistas concentraram a análise nos dentes das múmias, considerados estruturas altamente resistentes ao desgaste do tempo e capazes de preservar DNA antigo por mais tempo.

A equipe utilizou material em pó extraído dos dentes para tentar construir um perfil genético mais preciso dos indivíduos de Paracas.

Segundo os pesquisadores, estudos anteriores já haviam sugerido que os crânios poderiam ter sido moldados intencionalmente por uma antiga civilização humana que viveu entre 800 a.C. e 100 a.C. Entretanto, muitos desses trabalhos se baseavam principalmente em observações visuais.

Agora, o objetivo era verificar geneticamente se os restos pertenciam realmente a humanos antigos.

Métodos diferentes produziram pouco DNA

Os cientistas testaram duas técnicas diferentes para retirar material genético dos dentes. A primeira utilizou um método mais suave, removendo pequenas quantidades de pó do interior da raiz dentária. Já a segunda triturou completamente os dentes usando um moedor até transformá-los em pó fino.

Embora o método de moagem tenha recuperado uma quantidade significativamente maior de DNA, os resultados ainda ficaram abaixo do necessário para produzir uma identificação genética clara.

O método suave produziu apenas 2,3 nanogramas por microlitro de DNA, enquanto a moagem chegou a 14,1 unidades. Segundo os pesquisadores, laboratórios normalmente precisam de pelo menos 20 unidades para que testes genéticos consigam fornecer resultados confiáveis.

Idade das múmias pode ter comprometido material genético

Um caso de crânios da cultura andina Paracas , como pode ser visto no Museu Nacional de Arqueologia, Antropologia e História do Peru em Lima . Eles ilustram o achatamento da cabeça praticado na elite desta cultura – Crédito: Robrrb/Wikimedia Commons

De acordo com os cientistas, o baixo rendimento pode estar relacionado ao estado extremamente degradado do material genético após séculos de deterioração.

Como os equipamentos utilizados funcionaram normalmente durante os testes, a equipe acredita que o problema principal seja a baixa preservação do DNA das múmias.

Apesar das limitações, os pesquisadores afirmaram que pretendem continuar investigando os crânios utilizando novos métodos de extração.

O próximo passo será testar uma técnica chamada desmineralização, que pode ajudar a recuperar quantidades maiores e mais preservadas de material genético.

Teorias alienígenas continuam circulando

Ao longo das últimas décadas, os crânios de Paracas se tornaram alvo constante de teorias que associam os restos mortais a possíveis formas de vida extraterrestres. A pesquisadora Abigail McDowell explicou que alguns defensores dessas hipóteses acreditam que as múmias poderiam ser descendentes de espécies não humanas.

Mesmo assim, nenhuma análise genética feita até hoje confirmou qualquer evidência de origem extraterrestre.

Segundo McDowell, muitos arqueólogos e geneticistas continuam defendendo que o formato alongado das cabeças é resultado da chamada modificação craniana intencional, prática cultural conhecida em diferentes povos antigos.

Modificação craniana era prática cultural antiga

Em 2022, pesquisadores sul-americanos analisaram 159 crânios do sítio arqueológico de Paracas Cavernas e concluíram que cerca de 98% apresentavam sinais de deformação craniana proposital.

A técnica consistia em envolver o crânio ainda macio de bebês com faixas ou tábuas por vários meses, moldando gradualmente a cabeça em formato alongado.

Os especialistas acreditam que a prática funcionava como marcador de identidade social e cultural entre populações antigas da região andina, incluindo áreas do atual Peru, Bolívia e Equador.

Ainda assim, figuras conhecidas da cultura paranormal continuam defendendo interpretações alternativas.

David Childress, do programa Ancient Aliens, por exemplo, argumenta que os antigos povos poderiam estar tentando imitar seres considerados “altamente avançados”.

Já o pesquisador Lloyd Pye ganhou notoriedade ao promover teorias envolvendo supostos híbridos alienígenas-humanos após estudar crânios de formato incomum encontrados na América Latina.

Mistério permanece sem solução definitiva

Mesmo após décadas de estudos e diferentes análises genéticas, os crânios de Paracas continuam cercados de perguntas sem resposta definitiva.

Os pesquisadores da Liberty University esperam que técnicas mais modernas permitam recuperar DNA de melhor qualidade nos próximos testes, ajudando a esclarecer finalmente a verdadeira origem dos famosos “cabeças de cone” do Peru.


*Sob supervisão de Éric Moreira