O mar virou sertão? Fóssil do Ceará revela história de 430 milhões de anos
Fósseis de animais invertebrados com cerca de 400 milhões de anos encontrados no Ceará comprova que a região já foi mar em um passado distante

Imortalizada por Euclides da Cunha, a frase “O sertão vai virar mar!” gravou no imaginário brasileiro como tendo sido uma das profecias de Antônio Conselheiro. Entretanto, uma recente descoberta feita pelos paleontólogos do Ceará provou o contrário. Na região que hoje corresponde ao Ceará, a 430 milhões de anos, um dia foi mar.
Uma rocha com cerca de 700kg, localizada no Parque Nacional de Ubajara, revela fósseis de animais marítimos invertebrados. Ou seja, conforme o Laboratório de Paleontologia do curso de Ciências Biológicas da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), para esses animais chegarem ao local, possivelmente tudo era alagado.
A revelação
As imagens que comprovam essa revelação histórica foram divulgadas pela equipe no começo do mês de maio. Nas imagens estava estampados icnofósseis, vestígios geológicos da ação de organismos sobre a Terra.
O estudo foi realizado como parceria entre o Museu Dom José, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e a comunidade local. Dessa forma, a pesquisa, já considerada um marco para a paleontologia brasileira, está em andamento.
Conforme a CNN, o rochedo com as marcas do passado foi encontrado e retirado do município de Tianguá, no interior do Ceará. O encontro denuncia a vida da Terra há aproximadamente 430 milhões de anos, ou seja, antes mesmo de os dinossauros existirem.
Desse modo, a descoberta reforçou todas as teorias de que a Serra da Ibiapaba já abrigou um antigo mar em um período anterior à própria Serra se formar. Muito provavelmente esses animais eram resquícios da transição da Era Paleozoica para a Era Mesozoica.
De todo modo, a peça histórica ainda precisa de mais estudos para poder revelar mais mistérios do passado. Por enquanto, o Museu Dom José emprestou indeterminadamente o fóssil ao Parque Nacional de Ubajara, onde pode ser vista e estudada pelos interessados no assunto.
*Sob supervisão de Éric Moreira