Artemis II: confira o cronograma previsto para a missão em volta da Lua
A missão espacial Artemis II, da NASA, partiu nesta quarta-feira, 1º de abril, buscando sobrevoar em volta da Lua e vislumbrar seu lado oculto; veja o cronograma!

A missão Artemis II, que marca o retorno de astronautas à órbita da Lua após mais de cinco décadas, entrou em uma fase decisiva após o lançamento bem-sucedido da cápsula Orion na noite de quarta-feira , 1º de abril. Com quatro tripulantes a bordo, a viagem de cerca de dez dias inclui uma série de etapas críticas até o aguardado sobrevoo lunar, previsto para 6 de abril.
A decolagem ocorreu às 19h24 (horário de Brasília), no Centro Espacial Kennedy, na Flórida, com o foguete Space Launch System (SLS), descrito como o mais poderoso já operado pela NASA. A bordo estão os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, da agência americana, além de Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense. A missão não prevê pouso na Lua e tem como objetivo principal testar, pela primeira vez com humanos, os sistemas da espaçonave Orion em condições de espaço profundo.
“É o primeiro passo, uma missão de teste. Nunca houve humanos voando nesse sistema antes”, disse Jared Isaacman, administrador da NASA.

Cronograma de Artemis II
Nos primeiros minutos após o lançamento, o foguete realizou uma sequência de separações de componentes. Com cerca de dois minutos de voo, os propulsores laterais foram descartados a 13 quilômetros de altitude. Um minuto depois, o sistema de escape da cápsula foi liberado a 48 quilômetros. Já aos oito minutos, o estágio central se desprendeu a 153 quilômetros de altitude, quando a nave já atingia cerca de 28.500 km/h. Cerca de três horas e vinte minutos após a decolagem, o estágio superior também foi separado, deixando a cápsula Orion em órbita terrestre.
No segundo dia da missão, ocorre uma das manobras mais importantes: a chamada injeção translunar. Nessa etapa, o motor principal da Orion é acionado para retirar a nave da órbita da Terra e colocá-la em trajetória rumo à Lua. Trata-se de um ponto crucial da missão, pois define um caminho de “retorno livre”, no qual a cápsula pode voltar ao planeta mesmo em caso de falha nos motores.
A queima que nos leva à Lua é também a nossa queima de reentrada”, explicou Christina Koch. “Antes mesmo de partirmos, já estamos reentrado — e reconhecer isso exige que toda a equipe esteja pronta para a missão completa desde o início.”
Entre os dias 3 e 5 de abril, a tripulação seguirá viagem pelo espaço profundo, realizando testes em sistemas essenciais, como suporte de vida, comunicação e navegação, além de simulações de emergência e ajustes de rota. Ao final desse período, a Orion entra na chamada esfera de influência gravitacional da Lua, quando a força de atração lunar passa a predominar sobre a terrestre.
O momento mais esperado da missão ocorre no dia 6 de abril, quando a cápsula sobrevoa a Lua a uma altitude entre 6.400 e 9.600 quilômetros da superfície. Durante essa passagem, os astronautas terão uma visão privilegiada do satélite natural, que, da janela da nave, parecerá ter o tamanho de uma bola de basquete observada à distância de um braço esticado.
A etapa também inclui um desafio técnico: ao cruzar o lado oculto da Lua, a nave ficará temporariamente sem comunicação com a Terra por cerca de 30 a 50 minutos, devido ao bloqueio do sinal pelo próprio corpo lunar.
Para os 45 minutos em que estaremos mais perto da superfície lunar, também estaremos fora de contato”, afirmou Victor Glover. “Eu adoraria que o mundo inteiro pudesse estar torcendo e rezando para que a gente restabeleça o sinal.”
Durante esse período, a tripulação fará registros fotográficos de regiões que não podem ser observadas diretamente da Terra, incluindo tentativas de capturar imagens da chamada “Ascensão da Terra”, quando o planeta surge no horizonte lunar.
Após o sobrevoo, entre os dias 7 e 9 de abril, a missão entra na fase de retorno. A trajetória de volta depende majoritariamente da gravidade, exigindo apenas pequenos ajustes de rota e a continuidade dos testes de sistemas a bordo, repercute o g1.
O encerramento da viagem está programado para 10 de abril, com a reentrada na atmosfera terrestre. Nessa etapa, o módulo de serviço será descartado, enquanto a cápsula tripulada enfrentará velocidades próximas a 40.000 km/h, com o escudo térmico atingindo cerca de 1.650°C. Em seguida, paraquedas serão acionados para reduzir a velocidade até a amerissagem no Oceano Pacífico, próximo a San Diego, na Califórnia.
“Este é meu momento favorito da missão”, disse Daniel Flores, diretor de testes da NASA. “Nossos amigos estão voando ao redor da Lua. É quando vamos trazê-los de volta para suas famílias.”
A missão Artemis II é considerada um passo essencial para futuras operações que pretendem levar astronautas novamente à superfície lunar, consolidando uma nova fase da exploração espacial tripulada.