Catolicismo português indeniza primeiras vítimas de abuso sexual
Primeiras 57 vítimas de abuso sexual por religiosos em Portugal recebem indenização da Igreja; caso gera debates e críticas

Nesta última semana, após 3 anos das denúncias, a Conferência Episcopal de Portugal (CEP) anunciou, o pagamento de indenizações às 57 primeiras vítimas dos casos de abuso sexual de Portugal. Ainda incompleta, a indenização chega ao valor 1,6 milhões de euros.
Conforme o comunicado, das 95 denúncias, apenas 87 foram consideradas aptas de investigação. Destes, 12 casos ainda são avaliados para compensação financeira. Quanto aos 66 restantes, os valores podem girar em torno de 9 mil e 45 mil euros cada uma.
A justiça dos homens
Todavia, segundo a UOL, os casos negados, adiados ou não pagos são referentes à outros processos que não envolvem abusos sexuais ou não envolvem a Igreja diretamente.
Ainda assim a CEP afirma:
Desses 57 casos, 21 são de responsabilidade das dioceses, 15 dos institutos de vida consagrada e 1 é de responsabilidade compartilhada.”
Conforme o canal de notícias, os casos foram avaliados um a um, de maneira a se atentar e investigar todos igualmente. Porém, na hora do pagamento, cada caso tem uma compensação mediante a sua gravidade.
Críticas
Com o fim de criticar a Igreja Católica em Portugal, ativistas e ONGs questionam: “Como medir um trauma?”. Uma vez que é diante dessa métrica de “pior” ou “melhor” que as transições financeiras se dão.
No entanto, sem respostas, a Igreja se coloca em uma posição aberta ao diálogo, anexando a seus discursos a mensagem:
Continuaremos disponíveis para acolher, ouvir e acompanhar as vítimas, e reafirmamos nosso compromisso de manter uma cultura de responsabilização, cuidado e prevenção.“
Ainda, familiares, vítimas e apoiadores da causa apontam para fala do Papa Francisco em que dizia que o mínimo de ressarcimento deveria ser de 50 mil euros. Sendo então o valor entregue muito longe do ideal.
Tanto quanto o valor, as críticas também sondam as vítimas que não serão indenizadas, como é o caso daquelas em que o abuso prescreveu. Ou seja, há centenas de casos ocorridos nos últimos 70 casos que nem sequer terão a atenção judicial necessária. Por mais que seja óbvio, por vezes é necessário lembrar que abusos não prescrevem na cabeça da vítima.
De qualquer forma, as máculas causadas por esses homens de batina vai sempre estar presente na vida das centenas pessoas. Que o espelhamento no Papa não seja só uma palavra vazia e que a justiça seja feita.