Portugal repatria artefatos históricos ao México
Cerimônia em Lisboa marcou devolução ao México de três artefatos pré-hispânicos apreendidos em território português

Em um gesto histórico de cooperação internacional, autoridades de Portugal devolveram oficialmente três artefatos arqueológicos ao México, em um evento realizado na embaixada mexicana em Lisboa que simboliza um compromisso reforçado no combate ao tráfico ilícito de bens culturais e na restituição de patrimônio arqueológico.
Esta é a primeira vez que Portugal restitui peças pré-hispânicas ao México, numa ação que especialistas classificam como um marco nas relações culturais entre os dois países. As peças, de grande valor histórico e artístico, representam diferentes regiões e tradições culturais do México antigo e foram identificadas e autenticadas por equipes do Instituto Nacional de Antropologia e História do México (INAH) em colaboração com autoridades judiciais portuguesas.
Artefatos Pré-Hispânicos
Entre os objetos repatriados está uma figura feminina de cerâmica originária da região ocidental do México, associada a rituais de fertilidade e maternidade, atribuída à tradição das Tumbas de Tiro, no atual estado de Jalisco. Outro item é um vaso maia policromado, datado do período Clássico (aproximadamente entre 600 e 900 d.C.), decorado com figuras e hieróglifos que sugerem seu uso em cerimônias ou consumo de bebidas cerimoniais como o cacau.
O terceiro artefato devolvido é uma urna funerária zapoteca proveniente dos Valles Centrales de Oaxaca, com a representação de Cocijo, deus da chuva e da fertilidade — uma peça que reflete a rica simbologia religiosa da civilização zapoteca entre os séculos VI e XII.
Durante a cerimônia, autoridades culturais e diplomáticas de ambos os países destacaram a importância da restituição para a reconstrução da memória histórica e cultural do México, bem como para a preservação do patrimônio de povos indígenas e antigas civilizações mesoamericanas. A restituição formal ocorrerá por meio de mala diplomática nos próximos dias, quando as peças serão definitivamente entregues às instituições mexicanas responsáveis.
Responsáveis pela investigação em Portugal, incluindo a Polícia Judiciária, enfatizaram que a ação reforça a necessidade de cooperação internacional para combater a venda ilegal e o tráfico de artefatos arqueológicos.