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Papa Leão XIV critica políticas migratórias de Donald Trump

Primeiro pontífice americano reforça apoio a bispos dos Estados Unidos e afirma que deportações em massa violam dignidade humana

Papa Leão XIV e Donald Trump - Getty Images

O papa Leão XIV voltou a condenar abertamente as políticas migratórias de Donald Trump, declarando que imigrantes nos Estados Unidos estão sendo tratados de modo “extremamente desrespeitoso”. A fala ocorreu nesta terça-feira, em Castel Gandolfo, onde o pontífice respondeu a perguntas sobre uma recente declaração adotada por uma assembleia especial de bispos norte-americanos.

O documento critica as deportações em massa promovidas pelo governo Trump e destaca o clima de medo e ansiedade entre famílias imigrantes.

Leão XIV, o primeiro papa nascido nos Estados Unidos, afirmou que a declaração episcopal é “muito importante” e pediu que os católicos a recebam com atenção. “Temos que procurar maneiras de tratar as pessoas com humanidade, com a dignidade que elas possuem”, disse ele. “Se as pessoas estão nos Estados Unidos ilegalmente, existem maneiras de lidar com isso. Existem tribunais; existe um sistema de justiça”.

O pontífice reconheceu que cada país tem o direito de controlar suas fronteiras, mas condenou a forma como muitos imigrantes têm sido abordados. “Quando as pessoas estão vivendo vidas boas, e muitas delas por 10, 15, 20 anos, tratá-las de maneira extremamente desrespeitosa — e, infelizmente, com episódios de violência — é algo que os bispos deixaram muito claro”, afirmou.

Declarações

Desde sua eleição, em maio, após a morte do papa Francisco, Leão XIV tem adotado um tom cada vez mais firme contra as medidas migratórias do presidente. Em setembro, classificou o tratamento dado aos imigrantes nos EUA como “desumano”. No mês seguinte, questionou publicamente se as políticas de Trump são compatíveis com os ensinamentos da Igreja. “Alguém que diz ser contra o aborto, mas concorda com o tratamento desumano dado aos imigrantes, não sei se isso é ser pró-vida”, afirmou na ocasião.

Na última terça-feira, 18, além de suas declarações sobre imigração, o pontífice também voltou sua atenção à crise climática. Em um vídeo enviado aos bispos reunidos na COP30, no Brasil, Leão XIV criticou a falta de ação de líderes internacionais e alertou para os impactos crescentes do aquecimento global.

“A criação clama em enchentes, secas, tempestades e calor implacável. Uma em cada três pessoas vive em grande vulnerabilidade por causa dessas mudanças climáticas”, disse.

Segundo o ‘The Guardian’, o papa reforçou que o Acordo de Paris, de 2015, continua sendo a “ferramenta mais poderosa” para proteger o planeta, mas ressaltou que o obstáculo é a falta de compromisso político. “Não é o acordo que está falhando; nós é que estamos falhando na nossa resposta. O que falta é vontade política de alguns. Liderança de verdade significa serviço e apoio em uma escala que faça a diferença”.