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Papamóvel dado por Francisco foi barrado na guerra entre Israel e o Hamas

O veículo, símbolo da simplicidade do Papa Francisco, foi convertido em ambulância pouco antes de sua morte, mas jamais cruzou as fronteiras do território em guerra

Papa Francisco no papamóvel
Papa Francisco no papamóvel (Foto: Getty Images)

O papamóvel do Papa Francisco, símbolo de proximidade e humildade, ganhou uma nova missão antes da morte do pontífice, em abril deste ano. Transformado em ambulância, o veículo foi doado para ajudar refugiados na Faixa de Gaza durante a guerra com Israel, que teve seu fim decretado nesta semana após negociações conduzidas por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos.

O gesto humanitário refletia o último pedido do Papa, que ao longo de seu pontificado se mostrou atento aos conflitos e às desigualdades mundiais. O que nasceu como um símbolo de esperança, porém, se transformou em incerteza diante das fronteiras fechadas e da instabilidade no Oriente Médio.

Em maio, o Vaticano anunciou a conversão do automóvel em equipamento de socorro, segundo informações do UOL. A Santa Sé confirmou que o ato foi uma das últimas vontades de Francisco, que desejava ver o veículo servindo à população mais vulnerável da região.

A Caritas Internacional, braço humanitário da Igreja Católica, ficou responsável pela operação. A intenção era que o antigo papamóvel cruzasse o território e atendesse refugiados em abrigos e campos improvisados. Porém, a travessia nunca aconteceu, barrada pelas limitações e pelo caos do conflito.

Israel bloqueou a entrada do carro em julho, na primeira e única tentativa de cumprir o desejo de Francisco. Com a recusa do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, a ambulância permaneceu retida fora da zona de guerra, sem previsão de liberação, segundo a imprensa internacional.

Bloqueios, caos e desaparecimento

Durante a guerra entre Israel e o Hamas, a ajuda humanitária tornou-se caótica, segundo a Caritas. Caminhões com insumos básicos foram impedidos de atravessar, e até botijões de gás acabaram barrados por restrições militares. As operações, segundo as agências, tornaram-se imprevisíveis e limitadas.

Em agosto, mais de cem organizações internacionais assinaram uma nota de repúdio contra o que chamaram de “banimentos arbitrários”. As críticas pressionaram Israel, mas a situação humanitária seguiu crítica na Faixa de Gaza.

No mês seguinte, a Caritas reduziu drasticamente sua presença na região, mantendo apenas cinco postos de atendimento médico. Questionadas sobre o paradeiro da ambulância, as entidades permaneceram em silêncio. Ativistas de todo o mundo, como a sueca Greta Thunberg, chegaram a ser expulsos por militares israelenses ao tentar levar alimentos e suprimentos à população de Gaza.