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Arqueólogos descobrem forte bastião do século XVII na Polônia

Forte militar inédito, encontradao graças a tecnologia LiDAR, muda a compreensão da história defensiva polonesa

Forte Polônia capa
Esquematização da área onde o forte foi erguido - Lublin Voivodeship Conservator of Monuments

Uma equipe de arqueólogos anunciou a descoberta de um forte do século XVII situado perto da vila de Świerże, na Polônia oriental, que havia passado despercebida durante décadas até ser finalmente identificada graças à análise com tecnologia de sensores remotos. O achado foi descrito como um forte bastião – uma construção defensiva projetada para resistir ao uso de armas de fogo e artilharia, característica dos conflitos da época moderna na Europa.

A pesquisa foi conduzida no território do atual município de Dorohusk, no condado de Chełm, próximo ao curso do rio Bug, zona historicamente marcada por guerras e confrontos entre Estados vizinhos no final da Idade Moderna e início da era contemporânea. O local foi inicialmente analisado por meio de escaneamento aerotransportado e mapeamento LiDAR, capazes de penetrar a vegetação e revelar padrões de terra que, à primeira vista, pareciam apenas ondulações naturais ou ruínas medievais. Quando arqueólogos inspecionaram o terreno em campo, perceberam que se tratava de terraços e rampas correspondentes às muralhas e bastiões típicos do estilo de fortificação criado para a era da pólvora.

Forte polonês

Parte da estrutura original ainda pode ser vista no local, incluindo um bastião de esquina bem preservado e trechos de terraplanos com até cerca de dois metros de altura, que hoje ocupam uma área aproximada de 0,4 hectares em uma paisagem marcadamente rural. A análise do traçado das defesas sugere que o complexo inteiro cobria cerca de 1,5 hectares, com aproximadamente 120 x 140 metros de extensão em planta retangular – um desenho que coincide com edifícios concebidos na tradição da fortificação, desenvolvida por engenheiros europeus como Sébastien Le Prestre de Vauban, na França, durante o século XVII.

Fontes cartográficas históricas também corroboram a existência da fortificação, com mapas militares austríacos do início do século XIX já marcando o sítio como um ruído arqueológico ou antiga linha de trincheira, embora sua natureza exata só tenha sido compreendida agora. Segundo os pesquisadores, o forte pode ter sido associado à posse e defesa de terras por famílias nobres como os Olędzki ou ligado a figuras como Mikołaj Firlej, que controlavam partes da região antes de meados do século XVII.

O período em que a estrutura provavelmente foi utilizada coincide com uma fase de intensas guerras fronteiriças no leste europeu, incluindo levantes cossacos, a invasão conhecida como Dilúvio Sueco e conflitos entre a Polônia e a Rússia. Fortificações como esta, ainda que pequenas em escala, desempenhavam papel importante na defesa de pontos estratégicos fluviais e rotas terrestres, especialmente em territórios instáveis como os ao redor do Bug.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.