Fósseis de 512 milhões de anos revelam espécies inéditas
Descoberta de centenas de fósseis marinhos do período Cambriano expande o entendimento sobre a diversidade da vida primitiva

Cientistas fizeram uma descoberta paleontológica impressionante no sul da China, onde encontraram uma coleção de fósseis marinhos com cerca de 512 milhões de anos, oferecendo uma nova janela para a evolução da vida na Terra logo após a chamada Explosão Cambriana, um período em que muitos dos principais grupos animais surgiram de forma relativamente rápida na história geológica.
A descoberta foi feita em uma pedreira na província de Hunan, e envolve mais de 50 mil fósseis extremamente bem preservados, muitos deles com detalhes anatômicos raros que incluem partes moles como órgãos internos. A pesquisa publicada por cientistas chineses identificou 153 espécies diferentes de animais, pertencentes a 16 grandes grupos zoológicos, e 91 delas eram previamente desconhecidas pela ciência, representando uma proporção de quase 60 % de espécies novas.
Os organismos fossilizados incluem uma grande variedade de invertebrados marinhos como artrópodes primitivos, cnidários (como águas-vivas e anêmonas), esponjas e outros grupos que viveram em ambientes de águas profundas durante o início do Cambriano.
Entre eles há formas anatômicas complexas que ajudaram os pesquisadores a reconstruir aspectos dos ecossistemas antigos e a entender melhor como essas criaturas se locomoviam e se alimentavam, assim como a diversidade de formas corporais que existiam há mais de meio bilhão de anos.
Fósseis diversos
Esse conjunto fóssil é particularmente valioso porque fósseis de organismos com preservação tão detalhada são raros. Em muitos casos, os fósseis capturam partes que normalmente não resistem à fossilização, o que permite vislumbres mais profundos sobre a anatomia e a biologia dos animais primitivos.
Por exemplo, alguns grupos preservados mostram partes internas dos corpos, algo que ajuda a preencher lacunas na compreensão da evolução inicial de sistemas nervosos e de locomoção nos ancestrais de muitos animais modernos.
Os pesquisadores também observaram que algumas das espécies encontradas na China mostram semelhanças com fósseis descobertos em outras partes do mundo, como no sítio de Burgess Shale, no Canadá. Isso sugere que pode ter havido conexões entre ecossistemas marinhos distantes no Cambriano, possivelmente facilitadas por correntes oceânicas e mudanças nos níveis do mar, o que fornece pistas sobre a dispersão de organismos em escala global há centenas de milhões de anos.