NASA lança telescópio Pandora na busca por mundos habitáveis
Novo telescópio espacial, instalado em uma órbita terrestre baixa, foi projetado para estudar atmosferas de exoplanetas

A NASA lançou, no último dia 11 de janeiro, o telescópio espacial Pandora, uma missão inovadora voltada para a exploração de atmosferas de exoplanetas e de suas estrelas hospedeiras, ampliando as capacidades já mostradas pelo Telescópio Espacial James Webb e outras missões de exploração planetária.
Pandora foi colocado em órbita terrestre baixa por um foguete SpaceX Falcon 9 a partir da Base da Força Espacial de Vandenberg, na Califórnia, e representa um passo importante para a busca de mundos distantes fora do nosso sistema solar.
Ao contrário de telescópios maiores como o James Webb, Pandora é uma missão de custo mais baixo e escopo focalizado que foi concebida rapidamente pelo programa Astrophysics Pioneers da NASA.
Telescópio inovador
Trata-se de um satélite compacto equipado com instrumentos nos comprimentos de onda visíveis e infravermelhos, capazes de observar as estrelas por longos períodos e monitorar mudanças sutis no brilho estelar enquanto planetas cruzam diante de seus sóis. Essa técnica, chamada de trânsito, permite aos cientistas detectar assinaturas de moléculas nas atmosferas planetárias, como vapor d’água, hidrogênio e outros componentes que podem sinalizar condições favoráveis à vida.
Uma das principais inovações de Pandora é sua habilidade de estudar simultaneamente o comportamento da estrela e do planeta ao longo do tempo, o que ajuda a separar ruídos causados por manchas estelares ou variações no brilho da estrela do sinal real dos gases atmosféricos dos exoplanetas.
Esse ruído, conhecido há décadas como um dos principais desafios na análise de dados de exoplanetas, pode levar a interpretações equivocadas de sinais de moléculas ou até da própria presença de uma atmosfera. Pandora foi projetado para “limpar” esses efeitos e oferecer medições mais precisas.
Durante sua missão principal de aproximadamente um ano, Pandora estudará pelo menos 20 exoplanetas conhecidos, observando cada sistema repetidas vezes — cerca de 10 observações por alvo — e dedicando cerca de 24 horas por observação. Isso permitirá aos cientistas criar perfis detalhados das atmosferas desses mundos, observando características como nuvens, neblinas, possíveis componentes químicos e até estruturas que poderiam indicar condições habitáveis.
Embora Pandora seja menor e não consiga coletar tanto brilho quanto telescópios maiores como o James Webb, sua contribuição será essencial para complementar e clarificar dados obtidos por missões mais amplas, identificando quais exoplanetas merecem estudos mais aprofundados e ajudando a reduzir incertezas causadas pela própria estrela que hospeda cada planeta.