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James Webb cria primeiro modelo 3D da atmosfera de um planeta

Cientistas usam técnica de “mapeamento de eclipse” para traçar em três dimensões a atmosfera do gigante gasoso WASP‑18b

Atmosfera 3D
O exoplaneta WASP-18b - Divulgação: NASA/JPL Caltech

Astrônomos anunciaram a criação do primeiro mapa tridimensional da atmosfera de um planeta fora do Sistema Solar, resultado direto das observações do telescópio James Webb. O estudo teve como alvo o exoplaneta WASP-18b, um gigante gasoso com cerca de dez vezes a massa de Júpiter e que orbita sua estrela em menos de um dia terrestre, a cerca de 400 anos-luz da Terra.

Para reconstruir essa atmosfera em 3D, os cientistas usaram uma técnica conhecida como mapeamento de eclipse, que analisa a forma como a luz do planeta varia enquanto ele passa atrás de sua estrela em relação à Terra. À medida que o planeta é gradualmente ocultado, pequenas mudanças no brilho e nos comprimentos de onda permitem identificar como o calor e a composição química se distribuem em diferentes regiões e altitudes da atmosfera. A análise incluiu comprimentos de onda sensíveis à presença de água, o que possibilitou rastrear diferenças de concentração ao longo do globo.

Atmosfera do planeta

O mapa revelou que o hemisfério diurno de WASP-18b apresenta um ponto de calor extremamente intenso no centro, rodeado por uma região ligeiramente mais fria que forma um anel ao redor da área de maior calor. Esse padrão sugere uma circulação atmosférica ineficiente: os ventos não conseguem espalhar o calor recebido da estrela de forma uniforme. Outro achado marcante foi a baixa presença de água no ponto central, indicando temperaturas tão elevadas que as moléculas de água se quebram antes de se acumularem na atmosfera superior.

A criação desse mapa atmosférico tridimensional representa um avanço importante na astronomia de exoplanetas. Até então, a maioria dos estudos se limitava à detecção de gases ou à medição de temperaturas médias. Agora, pela primeira vez, os pesquisadores podem observar as atmosferas como estruturas complexas, com variações horizontais e verticais que revelam dinâmicas climáticas extremas.

A descoberta amplia as possibilidades de investigação de mundos distantes e reforça o papel do James Webb na transformação da forma como compreendemos planetas fora do Sistema Solar. Com o novo método, atmosferas alienígenas deixam de ser pontos abstratos e passam a ser sistemas meteorológicos completos, acessíveis à leitura científica em três dimensões.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.