Mulher dos EUA admite culpa por tráfico de restos humanos
Mulher de 46 anos confessou ter comprado partes de cadáveres roubadas do necrotério de Harvard e revendê-las através de sua loja

Uma mulher de 46 anos, moradora de Bradford, no estado de Massachusetts, nos Estados Unidos, declarou-se culpada no dia 8 de dezembro por envolvimento em um esquema de tráfico de restos humanos roubados do necrotério da Harvard Medical School. Segundo promotores federais, ela admitiu que adquiriu partes de corpos — sabendo que eram produto de roubo — entre 2018 e 2022, transportou-as de Massachusetts para a Pensilvânia e as vendeu a terceiros.
Os restos humanos haviam sido doados à instituição para pesquisa e educação, e estavam programados para cremação. A acusada mantinha uma loja chamada Kat’s Creepy Creations, onde usava os materiais para fabricar peças e objetos de cunho macabro, como “artes” feitas com partes humanas. A investigação identificou que alguns compradores residiam fora de Massachusetts, o que levou ao indiciamento por “transporte interestadual de restos humanos roubados”.
O esquema envolvia um grupo mais amplo de pessoas: o principal fornecedor era o antigo gerente da morgue, que, segundo o processo, extraiu órgãos e partes de cadáveres doados antes da cremação, desviando-os para venda ilegal. Ele, sua esposa e outros cúmplices já admitiram culpa em casos relacionados. Entre os compradores estava a mulher de Massachusetts, que revendia os materiais, e outros intermediários que receberam os restos para reutilização ou revenda.
As autoridades conduziram uma operação depois que agentes federais, em 2023, realizaram buscas na loja e na casa da acusada, encontrando diversos objetos — inclusive cabeças parcialmente dissecadas e restos humanos preservados — que confirmaram a veracidade das denúncias. A gravidade do caso mobilizou várias agências federais, e a acusada agora pode enfrentar até dez anos de prisão, além de multa e período de supervisão após eventual condenação.
O escândalo provocou consternação na comunidade acadêmica e médica: famílias que haviam doado corpos para pesquisa se sentiram traídas. A instituição envolvida iniciou uma revisão completa de seus protocolos, após a revelação de que partes supostamente dedicadas à ciência e ensino foram desviadas para o comércio ilegal.