Polícia dos EUA substitui retrato falado por imagens de inteligência artificial

A Polícia de Goodyear, no estado do Arizona, decidiu inovar ao apresentar um retrato falado gerado por inteligência artificial (IA); ação recebeu críticas

Polícia no Arizona trocou tradicional retrato falado por imagens geradas por inteligência artificial - Crédito: Divulgação/Instagram

A polícia de Goodyear, cidade localizada no estado do Arizona, Estados Unidos, inovou ao apresentar um retrato falado gerado por inteligência artificial (IA), rompendo com o método tradicional de elaboração de imagens através de papel e lápis. De acordo com as autoridades, a produção da imagem seguiu rigorosos procedimentos semelhantes aos dos desenhos forenses convencionais.

O retrato é de um indivíduo acusado de disparar contra um veículo durante uma tentativa malsucedida de assalto ao passageiro. Na ilustração, o suspeito é retratado usando um gorro e um moletom, além de apresentar um cavanhaque.

Na parte inferior da imagem, há uma clara indicação: “Esta imagem gerada por IA é baseada no depoimento de vítimas/testemunhas e não representa uma pessoa real”.

Em uma entrevista ao Washington Post, Mike Bonasera, o artista forense responsável pela criação do retrato apontou que a adoção da tecnologia é o futuro para sua área. “Estamos numa época em que simples desenhos a lápis não chamam mais a atenção. As pessoas são muito visuais, e é por isso que isso (usar imagens gerada por IA) funciona”, declarou Bonasera, de acordo com o portal de notícias Extra.

Riscos da prática

O uso da inteligência artificial nas forças policiais americanas tem se expandido, abrangendo não apenas a criação de retratos falados, mas também a elaboração de relatórios, análise de evidências e identificação de suspeitos via reconhecimento facial.

No entanto, especialistas entrevistados pelo Washington Post levantam preocupações sobre os riscos dessa prática, apontando que ela pode “distorcer” a realidade em um processo que já apresenta questionamentos sobre sua confiabilidade. Bonasera, por sua vez, discorda dessa perspectiva crítica.

A nova técnica foi aplicada em dois casos distintos em Goodyear, embora ainda não tenha resultado na captura dos suspeitos envolvidos.

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.