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Maria do Pó: A foragida brasileira procurada há 20 anos

Foragida desde 2006, Sônia Rossi, conhecida como Maria do Pó, segue como a única mulher na lista dos 15 criminosos mais procurados do Brasil

Sônia Rossi, a "Maria do Pó - Polícia Civil de São Paulo

O nome de Sônia Aparecida Rossi, hoje conhecido pela alcunha de “Maria do Pó”, está associado a uma das trajetórias criminais mais enigmáticas e impressionantes do Brasil. Sua lista de crimes, fugas e reaparições esporádicas transformou-a em um símbolo do desafio operacional enfrentado pelas forças policiais ao tentar capturar criminosos de alta periculosidade. Foragida desde março de 2006, ela permanece, quase vinte anos depois, como a única mulher entre os mais procurados do país.

A notoriedade de Maria do Pó começou no final dos anos 1990, quando se envolveu em um dos episódios mais impressionantes da história criminal recente: o roubo de mais de 300 quilos de cocaína guardados no Instituto Médico Legal de Campinas. A droga, apreendida dias antes, estava armazenada de forma precária no banheiro da unidade — uma fragilidade estrutural que permitiu a ação da quadrilha. As investigações apontaram Sônia como uma das responsáveis pelo roubo, e ela foi presa pouco depois.

Ainda em 1999, ela protagonizou a primeira de suas fugas. Detida na Penitenciária Feminina do Tatuapé, em São Paulo, conseguiu escapar poucos meses depois, em março daquele ano. O episódio marcou o início de uma longa série de evasões e recapturas que consolidariam sua reputação como uma das criminosas mais escorregadias do país.

No ano seguinte, em 2000, Sônia voltou a ser presa após uma troca de tiros com a Polícia Federal, em São José dos Campos. Durante a operação, agentes apreenderam cerca de 11 quilos de cocaína em sua posse. Ferida, ela foi levada novamente ao sistema prisional, passando por ao menos nove unidades diferentes ao longo dos anos seguintes — sempre considerada detenta de alta periculosidade e integrante de organizações de tráfico com ramificações internacionais.

As condenações também se acumularam: mais de 54 anos de prisão pelos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro.

A fuga de Maria do Pó

A fuga que consolidou seu status como uma das criminosas mais procuradas ocorreu em 9 de março de 2006. Naquele dia, Maria do Pó estava detida na Penitenciária Feminina de Sant’Ana, no Carandiru, uma das maiores unidades prisionais do país.

Segundo as investigações, Sônia aproveitou-se do fluxo de detentas que trabalhavam em atividades de pintura e manutenção interna. Misturando-se ao grupo, passou pelos portões de acesso sem ser identificada. Saiu caminhando pela porta principal da penitenciária — um feito que expôs falhas graves no controle operacional e no monitoramento interno. A partir desse momento, Maria do Pó desapareceu.

Nos anos seguintes, surgiram informações não confirmadas sobre sua presença em estados brasileiros e até fora do país. Relatórios policiais elaborados em 2018 apontaram uma possível atuação ou refúgio no Paraguai, hipótese considerada plausível por autoridades que investigam rotas internacionais de tráfico de drogas. Caso estivesse viva em 2025, ela teria cerca de 65 anos. Ainda assim, nenhum indício concreto permitiu sua captura.

Investigações

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo mantém Maria do Pó no programa estadual de recompensas: oferece R$ 5 mil por informações que levem ao seu paradeiro. É pouco para a dimensão do caso, mas suficiente para mantê-la, ano após ano, entre as prioridades investigativas.

Além disso, seu nome figura na lista vermelha da Interpol, o mais alto grau de alerta internacional. Esse tipo de aviso funciona como um mandado de prisão válido em praticamente todo o mundo, permitindo que a detenção ocorra em qualquer país membro da organização. Mesmo com esse aparato, nenhuma pista sólida emergiu em quase duas décadas.

O que torna o caso ainda mais marcante é o fato de Maria do Pó ser a única mulher entre os 15 criminosos mais procurados do Brasil. Seu histórico — composto por crimes graves, articulações com quadrilhas, fugas bem-sucedidas e possíveis conexões internacionais — desafia a ideia de que o crime organizado tem estruturas rigidamente masculinas.

Hoje, quase vinte anos depois de desaparecer do sistema prisional, o paradeiro de Sônia Aparecida Rossi continua sendo um dos grandes mistérios criminais do país.


*Sob supervisão de Fabio Previdelli

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.