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Aos 100 anos, ex-guarda nazista é investigado por supostas execuções de prisioneiros

Ex-guarda nazista de 100 anos está sendo investigado por supostas execuções de prisioneiros de guerra em campo de concentração

Fotografia em antigo campo de concentração nazista / Crédito: Getty Images

As autoridades na cidade de Dortmund, na Alemanha, iniciaram uma investigação contra um homem de 100 anos, suspeito de ter atuado como guarda em um campo de prisioneiros nazista e de ter participado de execuções durante a Segunda Guerra Mundial.

Segundo informações dos promotores, os crimes teriam ocorrido entre dezembro de 1943 e setembro de 1944. O acusado teria prestado serviço no campo Stalag VI-A, localizado em Hemer, na Alemanha Ocidental, que abrigou mais de 100 mil prisioneiros, a maioria oriundos da União Soviética, além de soldados britânicos, poloneses e franceses.

As condições desumanas no campo resultaram na morte de milhares de prisioneiros devido à superlotação, falta de higiene, infestação por vermes, fome e epidemias como disenteria e tuberculose. Além disso, muitos foram brutalmente assassinados pelos guardas. Já os sobreviventes do campo enfrentaram severa desnutrição, recebendo apenas uma porção de pão por dia enquanto eram forçados a realizar trabalhos extenuantes, conforme repercute o Daily Mail.

O promotor Andreas Brendel comentou à imprensa local que a investigação ainda está em andamento, mas que não seriam divulgadas mais informações por enquanto. A apuração foi iniciada pelo Escritório Central das Administrações Judiciárias Estaduais para a Investigação de Crimes de Guerra.

Após as investigações iniciais, o caso foi transferido para o escritório do promotor público em Dortmund, encarregado da acusação de crimes nazistas na região. O Escritório Central foi fundado em 1958 e já realizou quase 8 mil investigações preliminares sobre crimes desse período.

Campo de concentração nazista Stalag VI-K em 1941 / Crédito: Getty Images

Criminosos nazistas

Nos últimos anos, vários julgamentos envolvendo funcionários de campos nazistas ocorreram, impulsionados pela condenação em 2011 do ex-guarda do campo de morte Sobibor, John Demjanjuk, mesmo sem provas diretas de que ele havia matado alguém. Essas audiências permitem que indivíduos que auxiliaram no funcionamento dos campos sejam processados como cúmplices dos assassinatos, mesmo sem evidências concretas da participação em um assassinato específico.

No sistema jurídico alemão, as acusações de homicídio e cumplicidade em homicídio não estão sujeitas à prescrição. Contudo, com o passar dos anos desde o fim da guerra, o tempo para responsabilizar os envolvidos se esgota rapidamente.

Josef Schuetz, um ex-guarda condenado em junho de 2022 a cinco anos de prisão, faleceu menos de um ano depois, aos 102 anos. Em abril deste ano, um suposto ex-guarda do campo de concentração Sachsenhausen perto de Berlim morreu antes de poder comparecer ao tribunal para responder por sua cumplicidade na morte de mais de 3.300 pessoas.

Mais de 200 mil pessoas foram mantidas no Sachsenhausen entre 1936 e 1945. Desse total, dezenas de milhares morreram devido à fome, doenças e trabalho forçado, além das mortes resultantes de experimentos médicos e operações sistemáticas de extermínio realizadas pela SS.

Embora os números exatos das vítimas variem, estimativas superiores apontam para cerca de 100 mil mortos; no entanto, estudiosos sugerem que cifras entre 40 mil e 50 mil são mais precisas.

Em janeiro deste ano, Irmgard Furchner, uma ex-trabalhadora do campo de morte conhecida como ‘Secretária do Mal’, faleceu aos 99 anos na Alemanha, dois anos após ser julgada por sua colaboração em mais de 10 mil assassinatos. Pouco antes da sua morte em 14 de janeiro, ela não obteve sucesso em reverter sua condenação por ser cúmplice nos assassinatos em massa ocorridos no campo Stutthof durante a Segunda Guerra Mundial.

A Corte Federal da Justiça da Alemanha manteve a condenação imposta a Furchner no ano passado. Estima-se que entre 63 mil e 65 mil pessoas foram exterminadas no campo entre 1939 e 1945; as vítimas incluíam judeus, prisioneiros políticos e outros grupos perseguidos.

A ex-secretária foi considerada culpada como cúmplice em 10.505 casos de homicídio e em cinco casos por tentativa de homicídio. Durante as audiências federais em Leipzig no ano passado, advogados da ré tentaram questionar se ela poderia ser considerada cúmplice das atrocidades cometidas no campo e se tinha plena consciência do que ocorria.

Apesar disso, o tribunal concluiu que Furchner “sabia e apoiou deliberadamente” as ações que resultaram na morte cruel dos prisioneiros através das condições adversas no campo e pela transferência dos mesmos para o campo de extermínio Auschwitz durante os trágicos eventos finais da guerra.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.