Notícias / Museu do Louvre

Saiba o que motivou o roubo desta semana no Museu do Louvre

Falhas graves de segurança e ausência de câmeras expõem vulnerabilidades do museu mais famoso do mundo; governo francês anuncia revisão

O Museu do Louvre segue fechado na França - Getty Images

As investigações sobre o roubo das joias da coroa francesa no Museu do Louvre, em Paris, ganharam novos contornos nesta semana. Segundo a promotora Laure Beccuau, há indícios de que os criminosos possam ter sido contratados por um colecionador privado, interessado nas peças de valor histórico inestimável. Outra hipótese em análise é que as joias tenham sido desmontadas para fins de lavagem de dinheiro, já que, segundo especialistas, é praticamente impossível revender o material em seu estado original.

O assalto, ocorrido em plena luz do dia, mobiliza cerca de 60 agentes das forças de segurança francesas. As imagens das câmeras internas e externas estão sendo analisadas, embora relatórios oficiais indiquem que o sistema de vigilância do museu apresenta sérias deficiências.

Segurança defasada

Antes mesmo do roubo, o Tribunal de Contas da França já havia alertado para o que chamou de “atraso persistente” na modernização dos equipamentos de segurança do Louvre. Um relatório obtido pela Agência France-Presse (AFP) revela que 75% das salas da ala Richelieu e 60% da ala Sully — duas das principais do museu — não possuem câmeras de vigilância.

Além disso, o Louvre perdeu 200 agentes de segurança nos últimos 15 anos, enquanto o número de visitantes aumentou 50% no mesmo período. O ministro da Justiça, Gérald Darmanin, reconheceu as falhas e afirmou que o episódio “projeta uma imagem deplorável do país”.

Em meio à crise, a presidente do museu, Laurence des Cars, será convocada pela Comissão de Assuntos Culturais do Senado francês para prestar esclarecimentos. A audiência está marcada para depois de amanhã, segundo o senador Laurent Lafon, que disse querer “explicações após o roubo”.

Diante da repercussão internacional, o governo francês anunciou uma revisão urgente dos protocolos de segurança em todos os museus do país. A CGT Cultura, sindicato que representa os trabalhadores do setor, exigiu reforço imediato de pessoal e investimentos em tecnologia de vigilância.

Enquanto isso, segundo o UOL, o Museu do Louvre segue fechado, sem previsão de reabertura. Visitantes que haviam adquirido ingressos estão sendo reembolsados, e a cena do crime permanece isolada para perícia.

Antigas feridas

O crime reacende uma longa e curiosa história de roubos em grandes museus ao redor do mundo — inclusive no próprio Louvre. Em 1911, o museu foi palco do roubo da Mona Lisa, levada por um vidreiro italiano que havia trabalhado no local. A obra ficou escondida por dois anos antes de ser recuperada.

Outros casos célebres incluem o assalto ao Museu de Belas Artes de Montreal, em 1972, quando 18 pinturas e dezenas de joias desapareceram — a maioria nunca recuperada. Em 1990, o Museu Isabella Stewart Gardner, em Boston, foi invadido por falsos policiais, que roubaram 13 obras de arte avaliadas em meio bilhão de dólares — nenhuma delas foi encontrada.

Na Europa, o Museu de Viena perdeu em 2003 a peça renascentista “O Saleiro”, avaliada em 50 milhões de euros, recuperada três anos depois. Já o Museu Munch, em Oslo, teve “O Grito” e “A Madona” levados em 2004 — ambos encontrados danificados dois anos mais tarde.

Mais recentemente, em 2019, o museu Grünes Gewölbe, em Dresden (Alemanha), foi invadido por um grupo que roubou joias do século 18 avaliadas em 113 milhões de euros. Parte do acervo foi devolvida após acordos judiciais, mas várias peças estavam danificadas ou incompletas.

Sem respostas

No caso do Louvre, as joias da coroa francesa roubadas eram consideradas tesouros nacionais — peças únicas associadas à história de Napoleão e da monarquia. Ainda não se sabe se elas serão recuperadas ou destruídas para dificultar sua identificação.

Para a promotora Laure Beccuau, o crime foi “sofisticado e planejado com precisão”. “Se as joias forem desmontadas, perderão seu valor histórico e simbólico, mas poderão ser usadas em esquemas de lavagem de dinheiro”, afirmou.