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Roubo no Louvre: Prejuízo estimado é de quase R$ 550 milhões

Gangue leva joias napoleônicas em um assalto de sete minutos; diretora do museu será interrogada pelo parlamento francês

Museu do Louvre segue fechado após o roubo - Getty Images

O assalto mais audacioso da França em décadas deixou o país em choque e colocou o Museu do Louvre sob intensa pressão. Avaliada em cerca de € 88 milhões (R$ 550 milhões), a perda financeira do roubo das joias da coroa francesa reacendeu o debate sobre a segurança dos maiores acervos culturais do mundo.

O crime ocorreu na manhã de domingo, 19, quando quatro ladrões invadiram a galeria Apollo, uma das áreas mais visitadas do museu, levando oito joias napoleônicas em uma operação que durou apenas sete minutos. A quadrilha usou uma escada de um elevador de móveis para alcançar uma janela do primeiro andar, arrombando-a em plena luz do dia, pouco depois da abertura ao público.

O Louvre foi fechado logo após o assalto e permaneceu de portas trancadas na segunda e terça-feira. Ainda não há confirmação de quando o museu reabrirá. Enquanto isso, o presidente e diretor Laurence des Cars deverá prestar esclarecimentos nesta quarta-feira diante do comitê de cultura do parlamento francês, respondendo a perguntas sobre as possíveis falhas no sistema de segurança e na resposta emergencial da equipe.

Mistério

A ministra da Cultura, Rachida Dati, tentou conter a crescente onda de críticas, afirmando na Assembleia Nacional que “o aparato de segurança do Museu do Louvre não falhou”. Segundo Dati, o sistema funcionou como planejado, mas ela admitiu que parte do orçamento do museu será redirecionada para reforçar a segurança, com novas câmeras de CFTV e atualização tecnológica.

O próprio museu também se defendeu, alegando que as vitrines que protegiam as joias roubadas haviam sido instaladas em 2019, oferecendo “uma melhoria considerável em termos de segurança” em relação às estruturas anteriores.

Ainda assim, parlamentares e especialistas questionam como os criminosos conseguiram agir tão rapidamente, sem serem interceptados por uma unidade de resposta imediata. A falta de vigilância humana suficiente nas galerias mais sensíveis é vista como um possível ponto fraco.

Investigação

O caso está sob investigação da Brigade de Répression du Banditisme (BRB), unidade especializada da polícia francesa composta por 100 agentes, conhecida por resolver grandes crimes, como o assalto à mão armada à estrela Kim Kardashian em 2016. Também participam das investigações peritos do Escritório Central de Combate ao Tráfico de Bens Culturais, que lidam especificamente com artefatos de valor histórico.

Apesar da precisão do roubo, os detetives já possuem pistas significativas. No local, foram encontrados um colete amarelo com vestígios de DNA, motocicletas abandonadas, uma placa de carro falsa, a mala de acesso usada pelos ladrões e uma das joias — uma coroa pertencente à Imperatriz Eugénie, esposa de Napoleão III.

A promotora Laure Beccuau, que lidera o caso, declarou à rádio RTL que há esperanças de recuperar parte das peças. “Os criminosos não lucrariam € 88 milhões se tivessem a péssima ideia de desmontá-las. Talvez possamos esperar que pensem nisso e não as destruam sem motivo”, disse.

Onda de roubos

Segundo o ‘The Guardian’, o governo francês confirmou que não será indenizado pelas peças roubadas. Ao contrário de museus privados, o Louvre não possui seguro privado — o Estado atua como seu próprio segurador, uma prática adotada para evitar os altos custos de apólices quando “a taxa de sinistros é baixa”, explicou um porta-voz.

O caso se soma a uma série de roubos em museus franceses nas últimas semanas. Em setembro, o Museu Nacional Adrien Dubouché, em Limoges, perdeu duas bandejas chinesas e um vaso classificados como “tesouros históricos”. No mesmo mês, uma mulher chinesa foi presa por roubar mais de US$ 1 milhão em ouro do Museu de História Natural de Paris.


*Sob supervisão de Fabio Previdelli