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John Lennon teria medo de ser grampeado pelos EUA; entenda!

Fala de John Lennon em entrevista antiga ressurge após meio século, e revela temor do astro em ser espionado pelo governo americano

O astro John Lennon
O astro John Lennon - Getty Images

Um trecho até então esquecido de uma entrevista com John Lennon ressurge meio século depois e lança luz sobre seus receios mais íntimos: ele estava convencido de que o governo dos Estados Unidos monitorava suas ligações telefônicas — e quem sabe até espionava seus passos. 

A gravação foi encontrada por acaso em uma caixa num porão pelo DJ que a conduziu ainda jovem, e agora será exibida no que teria sido o 85.º aniversário do músico.

Temores de John Lennon

Na época da entrevista, em 1975, Lennon já estava envolvido em disputas legais com o governo dos EUA, acusando-o de vigilância ilegal e escutas telefônicas, parte de uma trama para impedi-lo de permanecer no país. Ainda assim, ao longo da conversa, ele parte de afirmações quase conspiratórias, dizendo que “eles vinham atrás de mim, de uma forma ou de outra”.

Ele descreve momentos cotidianos nos quais sentia a presença de algo errado: “cada vez que eu pego o telefone, há muito barulho. Vinham me importunar. Quando eu abria a porta, havia caras do outro lado da rua.”

John também conta que, em seu prédio — o famoso Dakota, em Nova York — ouviu barulhos de reparos nos porões, o que o levou a suspeitar que havia cabos e equipamentos ocultos. Embora não tivesse provas concretas, Lennon falava com convicção: “sei a diferença entre um telefone normal e isso que acontecia comigo.”

O DJ que o entrevistou, Nicky Horne — então com 24 anos — lembra ao The Guardian que foi convidado ao apartamento de Lennon e pôde gravar uma conversa extensa, com Lennon compartilhando esperanças criativas e reflexões pessoais. Parte dessa entrevista já havia sido transmitida em 1975 pela rádio Capital, mas os rolos originais permaneceram praticamente perdidos até agora.

Durante a conversa, Lennon comenta seu álbum Walls and Bridges, confessando que chegou a querer “jogar tudo fora”, tamanha era sua insatisfação com as gravações. Amigos o convenceram a ouvi-las, e ele admitiu que gostou do resultado final. Ele também disse sentir que ainda tinha músicas por vir: “eu ficaria aqui por sessenta anos mais, se Deus quiser”.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.