Jornalista Mario Guevara é deportado dos EUA para El Salvador
Caso Mario Guevara levanta alerta sobre liberdade de imprensa nos EUA, após repórter ser mantido em prisão prolongada

Mario Guevara, jornalista salvadorenho radicado nos Estados Unidos há mais de 20 anos, foi deportado para El Salvador nesta sexta-feira, 3 após passar cerca de 100 dias em um centro de detenção do ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândega). A decisão encerra uma das detenções mais longas de um profissional da imprensa no país por conta de seu trabalho jornalístico.
Guevara deixou El Salvador em 2004, alegando perseguição política, e construiu sua vida nos EUA, onde criou dois filhos cidadãos americanos e obteve autorização de trabalho. Em junho de 2025, ele foi preso enquanto cobria ao vivo um protesto em Atlanta. Acusações de desobediência e obstrução foram levantadas, mas logo retiradas. Ainda assim, o jornalista não foi liberado.
Prisão de Mario Guevara
Mesmo após um juiz autorizar sua saída mediante fiança, o ICE optou por mantê-lo detido, alegando que seu trabalho de transmitir operações policiais representava risco. Para advogados e organizações de direitos humanos, essa justificativa foi interpretada como retaliação contra sua atuação profissional e violação direta da Primeira Emenda da Constituição, que protege a liberdade de expressão e de imprensa.
Entidades como ACLU, Committee to Protect Journalists e Free Press denunciaram a deportação como um grave precedente. Segundo elas, o governo utilizou tecnicalidades migratórias para silenciar um repórter conhecido por documentar operações do próprio ICE, atitude que pode gerar efeito de intimidação em outros jornalistas, sobretudo aqueles que atuam em comunidades de imigrantes.
Documentos revelaram que a deportação de Guevara se baseou na reabertura de um processo antigo de imigração, que havia ficado suspenso por anos. Tentativas de regularizar sua situação através de um pedido de residência permanente, feito por meio de seu filho cidadão, foram rejeitadas por falhas burocráticas.
A família de Guevara, que permanece nos EUA, sofre agora as consequências emocionais e financeiras da separação. Um de seus filhos tem necessidades especiais e dependia diretamente dos cuidados do pai. Além disso, sua plataforma de jornalismo, voltada para imigrantes, fica em risco.
O caso gera debate sobre o uso do sistema migratório como ferramenta para punir vozes críticas, levantando preocupação entre especialistas sobre a proteção da imprensa em um momento de crescente polarização política nos EUA.
*Sob supervisão de Fabio Previdelli